Rio, 24 (AE) - O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, afirmou hoje que o reajuste dos combustíveis será usado para o governo quitar dívidas com a Petrobrás. Bier recusou a interpretação de que o reajuste foi dado para aumentar o caixa do Tesouro - apesar de o pagamento desta dívida aliviar as contas do governo federal.
"Este recurso é para quitar subsídios que o governo deu no passado", afirmou o secretário-executivo do Ministério da Economia, na saída de um seminário sobre desenvolvimento econômico, no Jockey Club, no centro do Rio. O subsídio seria o abatimento no preço da gasolina de reajuste de preços anteriores.
Para o ex-deputado e economista Roberto Campos, que também participou do debate, o reajuste só é possível porque o monopólio estatal do petróleo ainda não foi quebrado. "A competição se encarregará de evitar altas por decreto", afirmou o economista, antigo defensor da abertura do mercado para a iniciativa privada.
Segundo Campos, ex-ministro do Planejamento no governo Castello Branco, o reajuste dos combustíveis teve um "elemento disfarçado de tributação", e seu objetivo era "fazer caixa" para o governo. "Ainda é um subproduto da situação monopolística", argumentou o economista.

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