Reajuste no pedágio causa poucos protestos no PR
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domingo, 26 de março de 2000
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 27 (AE) - No primeiro dia de vigência das novas tarifas de pedágio no Paraná os caminhoneiros fizeram poucos protestos. Os maiores problemas, segundo as concessionárias que exploram o serviço, aconteceram na região oeste. Três praças de pedágio foram bloqueadas para a passagem de caminhões não carregados com cargas perecíveis, que eram obrigados a ficar no acostamento.
Segundo a assessoria de imprensa da empresa Rodovia Cataratas, o bloqueio começou por volta das 7 horas da manhã e atingiu as praças de São Miguel do Iguaçu, Céu Azul e Nova Laranjeiras. Os carros de passeio, ônibus e caminhões com cargas perecíveis não estavam sendo parados. A Polícia Rodoviária Federal disse que o número de carros parados não era grande.
Além da região oeste, também houve problema na praça de pedágio instalada em Carambeí, a cerca de 130 quilômetros de Curitiba. Manifestantes não estavam deixando os caminhoneiros passarem, mas a maioria não aderiu à paralisação e preferiu utilizar rodovias alternativas. Por volta de 15h30, alguns caminhões também começavam a parar nas proximidades do Porto de Paranaguá. Próximo a Londrina, no norte, aproximadamente 50 caminhões estavam parados no acostamento da BR-369.
As novas tarifas, com aumento médio de 112% para automóveis e de 76% para caminhões, foram anunciadas sexta-feira. Para se preservar de protestos, as concessionárias conseguiram um interdito proibitório na Justiça, estipulando multa de R$ 5 mil por hora para as entidades representativas dos caminhoneiros que promovessem manifestações causando prejuízos às empresas.
O presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos, Diumar Bueno, disse que a medida prejudicou as manifestações. "A categoria é responsável pela manifestação, mas se a liderança não estiver presente, ela não acontece", afirmou. Ele disse que a sociedade precisava entender que essa não é uma luta apenas dos caminhoneiros. "Estamos sozinhos", lamentou.
Pela manhã, o governador Jaime Lerner atribuiu as manifestações a uma "série de desinformações". Segundo ele, é normal haver reações quando há aumento. Mas lembrou que a justiça tinha determinado reajuste de 116% para todos os tipos de veículos e que, em acordo com as concessionárias, o governo conseguiu baixar o índice.
Segundo Lerner, os caminhoneiros também serão beneficiados com a isenção de 13,76% correspondente ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) sobre o pedágio. Outro benefício, segundo ele, é o destaque do pedágio na nota fiscal da carga, o que permitirá ao caminhoneiro autônomo negociar esse valor separado do frete.


