São Paulo, 08 (AE) - Os sucessivos reajustes de preços dos carros novos e o aumento dos juros para o financiamento levaram os consumidores a migrar para o mercado de carros usados. O setor registrou um crescimento de 7,9% nos negócios em janeiro, em comparação a dezembro. Em relação a igual mês do ano passado, o aumento foi de 2,2%. Foram vendidos no mês passado 41.607 veículos usados.
O comércio de carros novos no varejo teve uma queda de 25% no mesmo período, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). O presidente da Associação dos Revendedores de Veículos Automotores no Estado de São Paulo (Assovesp), George Assad Chahade, afirmou que o segmento de usados está absorvendo com maior facilidade a atual crise econômica por oferecer preços mais acessíveis.
O consumidor também está optando mais por compras à vista. Segundo a Assovesp, em janeiro 47% das vendas de usados foram financiadas, ante 61% no mês anterior. "As pessoas estão comprando de acordo com a capacidade financeira e estão evitando o acúmulo de dívidas futuras", disse Chahade.
De acordo com ele, as cerca de 7,5 mil lojas filiadas à entidade estão operando com juros médios de 5% a 6%. Mesmo quem continua preferindo comprar a prazo reduziu o número de parcelas e o valor a ser financiado. Na opinião de Chahade, a insegurança no mercado financeiro está levando a consumidor a preferir ativos como automóveis e imóveis.
Os preços dos carros nacionais usados, que ainda não tiveram qualquer reflexo dos quatro aumentos anunciados para os zero-quilômetro desde o fim de dezembro, apresentaram desvalorização de 1,92% em janeiro. Já os modelos importados, tiveram desvalorização de 1,7% e, segundo a Assovesp, ainda não foram afetados pela mudança cambial.
Chrysler - A fábrica da Chrysler no Paraná suspendeu a produção por dez dias e só voltará a operar no dia 22. Os 190 funcionários do setor produtivo terão a folga descontada de um banco de horas. Segundo a empresa, a decisão tem como objetivo evitar a formação de estoques na fábrica, hoje em cerca de 300 unidades da picape Dakota.
Deixarão de ser produzidos no período cerca de 400 veículos. A empresa também anunciou na sexta-feira um reajuste de 3,7% na Dakota nacional, por conta do aumento da Cofins. O modelo já tinha sido reajustado em 4,9% por causa do repasse do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que também aumentou.

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