Reajuste do mínimo pode injetar R$ 1,6 bi na economia
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segunda-feira, 26 de abril de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 27 (AE) - Na hipótese de que seja confirmada a elevação do salário mínimo de R$ 130 para R$ 140 no mês que vem, o economista Heron do Carmo, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da USP, calcula que R$ 1,6 bilhão adicional deverá entrar na economia este ano, de maio a dezembro. Nas contas do economista, esse reajuste não causará impacto na inflação da Fipe e, em sua opinião, a economia consegue se acomodar.
Para Carmo, que considerou nos seus cálculos 20 milhões de pessoas recebendo esse rendimento, reajustado em R$ 10, de maio a dezembro, o governo deve levar em conta mais a função social do mínimo na hora de reajustá-lo que a possibilidade de impacto na inflação. Com R$ 10 a mais na renda mensal, argumenta
o trabalhador poderá comprar mais um quilo de feijão e arroz e comer melhor. Para ele, esse reajuste representa muito pouco para a economia como um todo e significa muito, em termos de aumento do poder de consumo, para o trabalhador que recebe esse reajuste.
Juros - Para Heron, o juro real continua alto, em 27% ao ano, praticamente a mesma taxa de um mês atrás, apesar de o governo ter reduzido os juros nominais de 42% em março para 34% ao ano este mês. "O juro real está absurdamente alto." Em outros países, os juros nominais são de 7% ao ano.
O juro real é formado pela taxa nominal, descontada a perspectiva de inflação. Como as expectativas de inflação reduziram-se numa velocidade muito mais rápida que a queda na taxa de juros básica, o custo real do dinheiro manteve-se alto. "O juro real caiu muito pouco no último mês", diz Carmo, destacando que o fato de a taxa continuar elevada representa um custo adicional para a sociedade e para o governo.
Nos cálculos do economista, em março, quando a taxa básica era de 42% e a expectativa de inflação superior a 15% ao ano, o juro real estava em 28% ao ano. Agora, com a queda dos juros nominais para 34% e expectativa de inflação corrente no mercado de 7%, a taxa real de juro está em 27% ao ano. "É preciso baixar os juros nominais logo para que a taxa real recue", diz Heron. Na sua avaliação, os juros reais estão dificultando a vida das empresas, especialmente das pequenas, as grandes criadoras de postos de trabalho.


