São Paulo, 23 (AE) - O quarto reajuste do ano nos preços dos derivados de petróleo deve ter impacto de 0,4 ponto percentual sobre a inflação de julho em São Paulo, de acordo com o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo, Heron do Carmo. Mas o aspecto técnico, de peso no índice, é menos relevante nesse momento de baixa atividade econômica do que o prenúncio de uma nova desorganização do orçamento familiar do brasileiro, capaz de fazer estragos no cenário de recuperação econômica no segundo semestre.
O bolso do consumidor, lembrou Heron, já esta sendo muito pressionado pelos reajustes de energia elétrica (20% em São Paulo), dos serviços telefônicos (7% em média), do gás de cozinha (18% na distribuidora e possivelmente 10% para o consumidor), e dos serviços de água e esgoto (o esperado também é 10%). O aumento da inflação de 0,4 ponto percentual ocorrerá se a previsão do governo, de impacto de 10% nos preços ao consumidor, se confirmar.
Assim, a previsão de inflação de 0,3% no mês que vem está sendo revista para 0,7%. Contudo, mesmo com a concorrência entre postos, Heron tem dúvidas sobre o nível do repasse - para ele, há possibilidade de ser maior do que os 10%.
Freio - "Todos esses aumentos têm o mesmo significado de um imposto para as famílias", comparou Heron. Segundo disse, haverá um arrocho da renda disponível para consumo - o dinheiro será compulsoriamente reduzido, já que os aumentos de tarifas mexem com gastos em serviços essenciais - o que significará um freio na retomada do crescimento econômico previsto para o segundo semestre. "Também poderá haver nova pressão de empresários do transporte público para aumento dos preços de passagens, o que será outro fator agravante da recessão." O coordenador do IPC afirmou que para compensar o impacto dos reajustes de tarifas no nível de crescimento do segundo semestre
o governo terá de usar outros instrumentos de incentivo ao consumo, como redução dos compulsórios dos bancos (para que mais dinheiro fique disponível para crédito) e maior redução das taxas de juros, por exemplo.
Para o economista, o governo está "descarregando" os aumentos de tarifas agora para poder adotar com alguma tranquilidade, no segundo semestre, o sistema de metas de inflação como balizadoras da política econômica - o chamado "inflation target".

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