Reajuste de tarifas frustram estimativa de deflação no 3º trimestre
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quarta-feira, 09 de junho de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 10 (AE) - Os aumentos das tarifas de energia elétrica, telefone, água e esgoto inviabilizaram a perspectiva de deflação no terceiro trimestre deste ano. Entre julho e setembro, o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) deverá refletir esses reajustes e a inflação mensal poderá ficar em torno de 0,20%, a mesma variação esperada para este mês, na previsão do coordenador do IPC da Fipe, Heron do Carmo. Apesar dessa mudança
para o ano ele mantém a estimativa de 6% de inflação.
Na primeira prévia de junho, o custo de vida do paulistano registrou deflação de 0,41%, caindo um pouco mais em relação a maio, que fechou em -0,37%. A queda na primeira quadrissemana de junho foi maior que a esperada. Por isso, o coordenador do IPC decidiu rever de 0,30% para 0,20% a estimativa do índice para este mês. Na sua análise, o impacto do aumento das tarifas não vai afetar o IPC deste mês.
Mais uma vez o comportamento dos preços dos alimentos foi responsável pela deflação do IPC. Na primeira prévia de junho, as cotações dos alimentos caíram, em média, 2,13%, ante um recuo de 1,96% em maio.
Todos os itens que compõem esse grupo tiveram deflação, com destaque para os produtos in natura, que recuaram 5,57%. A boa safra de hortifrutigranjeiros, a reversão do câmbio e a oferta abundante de commodities agrícolas no mercado internacional contribuíram para essa retração.
"Se não fosse a queda dos alimentos o IPC da primeira quadrissemana teria subido 0,20%", ressalta Heron. A tendência, diz ele, é que ocorra uma reversão nos preços da comida, que deverá fechar o mês com variações muito próximas de zero. "As cotações dos produtos na ponta já mostram essa reversão." Fora isso, há possibilidade de geadas em julho, o que pode afetar a alimentação.
O transporte também influenciou o resultado do IPC e fechou com queda de 0,75% na primeira quadrissemana de junho. O álcool combustível foi o produto que registrou a maior baixa de preço (-9,83%) no índice deste mês.
Se a cotação do álcool subir 50%, o impacto no IPC da Fipe será de 0,65 ponto percentual, nos cálculos de Heron. Mas ele não acredita que isso ocorra de uma só vez porque há forte concorrência entre os postos. Também a demanda fraca para a venda de veículos deve impossibilitar os repasses dos aumentos de preços dos automóveis, argumenta o economista.
O grupo habitação, que deverá ser afetado pelo aumento das tarifas no mês que vem, ficou estável na primeira prévia de junho. O resultado refletiu o pequeno recuo dos aluguéis (-0 28%), dos artigos de limpeza (-0,77%), cama-mesa-banho (-1,38%) e dos aparelhos de imagem e som (-0,14%). "O efeito do câmbio nos preços dos industrializados já foi absorvido", reafirma Heron.
Vestuário - A maior alta registrada neste mês foi nos artigos de vestuário, que fecharam a primeira prévia de junho em 3,5%, ante um aumento de 1,91% em maio. "Nunca o preço das roupas subiram tanto relativamente a maio", ressalta o coordenador do IPC.
A puxada nas cotações ocorreu, de acordo com Heron, por causa da proximidade do Dia dos Namorados e do frio intenso. Mas a tendência é de os preços caírem depois do Dia dos Namorados, com o início das liquidações de inverno.
Depois das roupas, a saúde foi o grupo que mais subiu, com alta de 0,80%. O aumento foi impulsionado por remédios, que ficaram 1,78% mais caros. O coordenador do IPC destaca que, apesar de os laboratórios terem anunciado aumentos, é preciso verificar como o repasse será feito para o consumidor por causa da forte concorrência entre as farmácias.
Educação e despesas pessoais também registraram variações positivas em junho, com pequenos aumentos de 0,14% e 0 11%, respectivamente. No grupo educação, Heron diz que as escolas poderão tentar fazer algum reajuste na metade do ano, mas ele acha que quem aumentar preço vai ficar sem alunos.


