Brasília, 02 (AE) - Memorando de Política Econômica (MPE), divulgado hoje pelo governo, atribui às tarifas públicas a responsabilidade pelo repique da inflação neste fim de ano. O memorando é integrante do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
"A maior parte do aumento registrado durante o terceiro trimestre reflete os ajustes efetuados nos preços administrados, especialmente das tarifas de energia elétrica", diz o documento
onde são avaliados os dados da economia, neste ano, e as perspectivas para 2000.
"Excluindo-se esse impacto, a inflação registrada nos preços ao consumidor permanece baixa." O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, admitiu, ainda, que existe "uma hipótese, uma possibilidade", de o governo adiar a liberação das importações de petróleo e combustível, prevista para meados do próximo ano.
Essa questão foi levantada pelo secretário de Acompanhamento Econômico, Cláudio Considera. Ele admitiu que o governo está analisando essa possiblidade por causa da elevação dos preços internacionais do petróleo.
O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, avaliou que o acordo com o FMI, tal como ficou agora, dará mais flexibilidade para o governo brasileiro na gestão de sua política monetária do que antes, quando havia critérios de desempenho rígidos para medir apenas o Crédito Doméstico Líquido (dado pela diferença entre a base monetária e as reservas internacionais líquidas, um número utilizado para medir a expansão do crédito na economia).
Amadeo explicou que, antes, o governo ficava amarrado a um volume de Crédito Doméstico Líquido pré-estabelecido. "Agora
temos inúmeras variáveis que podemos manejar para atingir um determinado nível de inflação", explicou.

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