Reajuste de combustíveis começa a pressionar preços
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domingo, 27 de junho de 1999
Por Cleide Silva e Denise Neumann 
São Paulo, 28 (AE) - O aumento dos preços de combustíveis em vigor desde sexta-feira já está desencadeando uma série de reajustes em vários segmentos. O consumidor está pagando até 20% a mais pela gasolina nos postos de São Paulo e as passagens de ônibus interestaduais podem subir 17% nos próximos dias. Os transportadores de carga também querem repassar custos de mais de 20% para o preço dos fretes.
As empresas de transporte rodoviário de passageiros encaminharam pleito de aumento de 17% nas passagens interestaduais ao Ministério dos Transportes. O pedido está sendo analisado pela assessoria técnica do ministério, segundo informou hoje o titular da pasta, Eliseu Padilha.
"O pedido corresponde ao repasse do custo do aumento dos combustíveis", explicou Padilha. O ministro não quis entrar em detalhes sobre o porcentual de reajuste, mas sua assessoria confirmou que o pedido é de 17%. "A demanda do setor, depois de analisada, será encaminhada à Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda", explicou Padilha. "Mas o porcentual solicitado pode não ser concedido", ponderou.
O presidente do Sindicato dos Postos de Combustíveis do Estado de São Paulo (Sincopetro), José Alberto Paiva Gouveia, disse que 70% dos postos da capital paulista já estão operando com novas tabelas e o preço do litro da gasolina chega a R$ 1 19. Os demais ainda têm estoques e estão vendendo o litro por menos de R$ 1,00.
Segundo Gouveia, o aumento de preços nas bombas de combustíveis ficou em 17% a 18%, em média. Alguns estabelecimentos promoveram reajustes de 20%. "Os postos estão repassando o aumento concedido pelas companhias distribuidoras"
justificou.
Gouveia lembrou que o governo chegou a divulgar que o reajuste para o consumidor ficaria em torno de 9,7%. "Mas as companhias repassaram índices médios de 17% a 25% para a gasolina e o álcool, e o dono do posto não tem como arcar com esse custo."
Cargas - A Associação Nacional do Transporte de Cargas (NTC) está recomendando aos associados que repassem para o frete todos os custos incorporados aos serviços nas últimas semanas.
Antes do aumento de sexta-feira, o setor já reivindicava reajustes de 19,2% por conta da elevação anterior do preço do diesel, do aumento de impostos (PIS, Cofins e CPMF), dos pedágios e de custos com gerenciamento de riscos (incorporação de equipamentos e serviços para evitar roubos).
"Já estava difícil repassar esses custos e agora há novos reajustes", reclamou o presidente da NTC, Romeu Nerci Luft. Segundo ele, o aumento de 18% no preço do diesel resulta em custos que variam de 2% a 8% no frete, dependendo da distância percorrida para a entrega de cargas.
Segundo Luft, desde janeiro o preço do diesel subiu 48 9%. "A desculpa para esse último reajuste - de repasse da defasagem cambial - não convence nem o próprio governo", criticou. Ele lembrou que nos últimos dois anos o preço internacional do petróleo registrou recuo, mas não foi repassado às tabelas internas.


