São Paulo, 8 (AE) - O economista da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solimeo, acredita que o ritmo de queda das taxas de juros poderá ser alterado pelos reajustes de tarifas públicas, programados para este mês. "O impacto dos ajustes no índice de preços impedirá uma queda maior das taxas", disse Solimeo, lamentando que "alguns setores aumentem seus preços num momento de plena recessão".
Segundo ele, os reajustes das tarifas devem aumentar "pouco" o índice de preços ao consumidor nos próximos meses, produzindo um repique inflacionário. Isso porque o setor produtivo não terá como repassar esse aumento para o valor final de seus bens e serviços, em virtude do quadro recessivo que reduziu a demanda. "O empresário vai ter de absorver mais esse aumento de custo", ponderou Solimeo.
Na próxima semana, o consumidor deve se preparar para pagar mais 12% na conta de energia e, a partir de 15 de junho, o serviço de telefonia fixa vai ficar 8,5% mais caro. O reajuste do álcool combustível ainda não está definido, mas há previsões de que fique em torno de 66% de seu preço. O reajuste da gasolina será de 8% e os remédios, em 3%.
Se o impacto das tarifas sobre a inflação será pequeno, Solimeo ponderou que, em contrapartida, o poder aquisitivo do consumidor será reduzido. "O consumidor vai ter de redirecionar seus gastos, porque o dispêndio com tarifas é obrigatório. Isso vai agravar ainda mais a recessão", disse.

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