Reações sobre a aprovação do processo de impeachment
São Paulo, 13 (AE) - Repercussões da aprovação do pedido de impeachment do prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PTN):
Dalmo Dallari, professor de direito constitucional e teoria geral do Estado da Universidade de São Paulo (USP): "Acho que é um dado muito positivo. Por tudo que foi noticiado, havia um esquema do prefeito na Câmara que parecia intransponível. Pitta trabalhou para assegurar maioria na Comissão Especial. Mas a insegurança do vereador Natalício Bezerra foi decisiva. Foi importante a pressão da imprensa e da opinião pública. A decisão é muito estimulante e permite otimismo em relação aos próximos passos." Luiza Erundina (PSB), deputada federal: "Já é um indício de que Pitta será mesmo afastado. A pressão da sociedade civil tem funcionado, mas ainda há um longo caminho e é preciso que continue a ocorrer pressão popular, pois boa parte dos vereadores tem uma relação promíscua com o prefeito. Acho insuficiente que só o Pitta seja punido. É necessário uma CPI que investigue todos os outros envolvidos nas denúncias, sejam eles vereadores, secretários ou ligados ao Paulo Maluf. Porque a maioria das irregularidades vem da gestão dele." Cláudio Couto, cientista político da Pontifícia Universidade Católica (PUC): "Agora é a hora e a vez dos partidos. A pressão partidária foi fundamental para que Natalício Bezerra se decidisse e votasse a favor do processo. O medo de ser punido ou perder a legenda faz com que esse poder partidário aumente sobre o vereadores. A tendência agora é que sejam aprofundadas as investigações envolvendo aliados de Pitta e de Paulo Maluf. A administração municipal estará paralisada de vez com o esforço que o prefeito vai ter de despender para provar sua inocência. A situação de Maluf também piora porque sua imagem está muito vinculada à de Pitta e os vereadores podem abrir "caixas de informações" que comprometam ambos ainda mais. Vai ser um processo desgastante." Geraldo Alckimin (PSDB), vice-governador: "Foi um passo importante para que haja a investigação das denúncias e a punição dos responsáveis. Um fator de peso para que isso acontecesse foi a pressão da opinião pública. A sociedade civil ficou indignada e se mobilizou. Não foram episódios isolados e está claro que a atual administração está contaminada. Na realidade, essas questões começaram na administração anterior (Paulo Maluf), com esse sistema clientelista de loteamento das administrações regionais e órgãos públicos municipais." Marcos Cintra, deputado federal e presidente estadual do PL: "O que está havendo é uma indicação de que os vereadores estão pressionados pela população para apurar. Somos favoráveis às investigações e vamos orientar os vereadores da nossa bancada para que continuem a apoiar a continuidade das investigações até o fim. Tudo precisa ser levado até as últimas consequências." Celso Bastos, jurista: "Será um grande confronto Político. Pelo suspense na definição dos votos dos vereadores na Comissão Especial e pela dificuldade na apresentação da denúncia, quando se dependia de uma maioria simples, acredito que haverá dificuldades em obter os três quintos dos votos necessários à transformação da denúncia em acusação. Só com muita pressão popular isso ocorrerá. Por estar a Câmara desprestigiada e ser ano eleitoral, talvez os vereadores cheguem a um consenso mais rápido." Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT): "Isso já deveria ter acontecido há muito tempo. O prefeito deveria agora se afastar do cargo para facilitar as investigações. Mais do que nunca é o momento de a população aumentar a pressão sobre os vereadores para que o processo seja feito com transparência."





