Reações hormonais e neuroquímicas são consequências da raiva no organismo. Quem explica é o endocrinologista José Cervantes Loli, especialista em medicina psicossomática, de Apucarana.

O processamento da raiva acontece no sistema límbico, o chamado cérebro emocional, e isso se dá especialmente no hipotálamo, que tem relação com as doenças emocionais, metabólicas e hormonais.

Em um episódio de raiva, explica o endocrinologista, o organismo aumenta a liberação de adrenalina e de vários hormonios, especialmente o cortisol. Quando isso acontece, principalmente se é repetitivo, o corpo sofre com aumento da pressão arterial, taquicardia, sudorese, elevação da glicemia no sangue, tensões musculares, perda da concentração, diminuição da memória recente e insônia. O obesidade é um risco, segundo ele, ''tanto pelo aumento do cortisol, como pelo ataque à comida nos momentos de fúria''.

Ainda há risco de doenças autoimunes da tireóide em pessoas geneticamente predispostas. O hipertireoidismo, por exemplo, tem sintomas semelhantes aos de excesso de adrenalina, e o hipotireoidismo, ao de uma raiva contida. ''Reações de raiva e irritabilidade constantes também podem alicerçar problemas como a depressão e distúrbios de ansiedade'', alerta.

Aqueles com características mais temperamentais ou explosivas, ressalta Loli, podem ainda ter comportamentos agressivos contra si mesmos, como o vício pelo álcool ou pelo cigarro, além de atitudes impulsivas como dirigir em alta velocidade ou fazer sexo de risco. ''Crises frequentes de irritabilidade e ataques de raiva colaboram também para o adoecimento dos cônjuges, que muitas vezes permanecem calados para não aumentar os conflitos ou até uma violência familiar'', afirma.

Por fim, o endocrinologista lembra uma história que ilustra bem o quanto a raiva é sentimento que se volta contra nós mesmos. ''O pai propõe ao filho, quando este sente muita raiva do amiguinho, uma tarefa: 'mire aquele lençol branco no varal, imagine que é o seu amiguinho, e jogue estes pedaços de carvão nele, até se sentir melhor'. Depois de um tempo o menino se acalma. A lição é a necessidade do deslocamento da agressividade para um alvo qualquer que não se lese. Mas há ainda uma outra lição. O pai pede ao filho que se olhe no espelho - o garoto está todo sujo das cinzas do carvão''. (C.P.)

Serviço: José Cervantes Loli - (43) 3424-2344

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