Reação tóxica em outros órgãos
A ''metalose'', que dá nome à operação realizada ontem pela Polícia Federal, é um processo inflamatório decorrente do uso de materiais que não são biocompatíveis - inapropriados para seres humanos - em próteses cirúrgicas.
O ortopedista Carlos Vaz, especialista em cirurgia de joelho e professor de ortopedia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), explica que as próteses inadequadas podem liberar micropartículas metálicas. As reações podem ser locais ou atingir órgãos à distância, como rins e fígado. ''É um processo bastante grave, que pode enfraquecer o osso e acarretar reação extremamente tóxica em outros órgãos'', alerta.
Além da dor, explica o médico, o problema demanda uma nova cirurgia. ''É um procedimento bem mais complexo, porque o local fica cheio de partículas de metal, o tecido fica alterado. Muitas vezes o paciente fica um longo tempo internado antes de poder fazer nova cirurgia'', esclarece, ressaltando que pode restar sequela irreversível.
Usadas em casos de fraturas ou desgaste de articulações, as próteses empregam materiais como titânio, cromo e cobalto. Seu preparo para uso médico, entretanto, é bem diferente daquele usado em indústrias como a de transportes. Segundo Vaz, a vida útil de uma prótese de quadril sucateada, por exemplo, pode ser reduzida de 10 para cerca de dois anos. ''Com um material bom, aprovado pela Anvisa, é muito raro ocorrerem problemas'', tranquiliza. (V.N.)





