Reação mista à polêmica premiação de Kazan
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domingo, 21 de março de 1999
Por Michael Miller 
Los Angeles, 22 (AE-REUTERS) - Elia Kazan, criador de alguns dos maiores filmes de Hollywood, recebeu um prêmio pelo conjunto de sua obra no Oscar de domingo, mas muitas estrelas o esnobaram pelo que eles vêem como o pacto que ele fez com o diabo.
Atores indicados para o Oscar como Nick Nolte, Ed Harris e Sir Ian McKellen estavam entre aqueles que permaneceram sentados, e emblematicamente não aplaudiram, ao invés de levantarem-se em tributo ao diretor de "Sindicato de Ladrões".
Eles protestavam pelo fato de Kazan ter delatado oito comunistas num testemunho perante o Comitê de Atividades Antiamericanas, da Câmara dos Representantes, em 1952, uma atitude que muitos dizem abriu as comportas em Hollywood e resultou na elaboração de uma "lista negra" de centenas de escritores, artistas e diretores.
Apesar de que para os espectadores em casa ter parecido que cerca de metade da platéia ficou de pé, os que o fizeram demoraram a se mover, e pessoas na cerimônia dizem que apenas 20% efetivamente ergueram-se.
O diretor Steven Spielberg estava entre aqueles que aplaudiram, mas ele não ficou de pé.
Warren Beatty, um dos líderes da comunidade liberal de Hollywood, levantou-se e aplaudiu por causa de sua dívida pessoal com Kazan, que deu a à sua carreira um grande impulso inicial ao entregar-lhe um papel em "Clamor do Sexo", em 1961.
Kazan parecia reconhecer a controvérsia quando aceitou a premiação, dizendo: "Quero agradecer à Academia por sua coragem e generosidade. Quero agradecer muito a todos". Então ele afirmou: "Acho que agora posso apenas desaparecer".
O diretor de 89 anos não apareceu nos bastidores para responder a perguntas de repórteres.
Kazan, que ganhou o Oscar de melhor diretor por "Sindicato de Ladrões" e "Gentlemans Agreement", foi o assunto mais debatido do Oscar deste ano, com muitos o vendo como um símbolo da era McCarthy e dos dias quando os artistas eram colocados na lista negra por suas crenças políticas.
Sua reputação de ser satanizado por seus atos políticos enquanto reverenciado por outros por suas brilhantes direções comprovou ser verdadeira na mais charmosa noite de Hollywood.
Enquanto as estrelas chegavam e desfilavam pelo tapete vermelho até o Pavilhão Dorothy Chandler onde estava sendo apresentada a 71º Premiação da Academia, um grupo de cerca de 300 manifestantes estava concentrado na calçada oposta com cartazer onde se lia: "Não embranqueçam a Lista Negra" e "Lista Negra rasga a Carta de Direitos".
Os manifestantes também gritavam: "Não fiquem em pé por Kazan".
Harris, nomeado para melhor ator coadjuvante por seu papel em "O Show deTruman- O Show da Vida", permaneceu sentado com seus braços cruzados, assim como Nolte, que foi indicado para melhor ator por seu trabalho em "Temporada de Caça".
McKellen, indicado para melhor ator por sua participação em "Deuses e Monstros", disse numa entrevista à televisão ABC que ele não aplaudiu.
"Eu apenas permaneci sentado e observei. Poucas pessoas ficaram de pé, mas não muitas onde eu eu estava sentado." Ele descreveu a premiação e a controvérsia cercando-a como "um ato do teatro da vida real".
Army Archerd, colunista da Daily Variety, escreveu em sua coluna a ser publicada amanhã: "Apesar de aqueles que aprovaram terem sido vocalmente audíveis, o silêncio daqueles que não se manifestaram superou-os em muito. Eu estava sentado na fila T, cadeira 42, onde fui capaz de observar todo o show e, naturalmente, particularmente a premiação de Kazan.
"Os aplausos podem ter parecido alto para os telespectadores em casa, mas apenas uns 20% da audiência ficaram de pé, e nenhum na minha fileira ou na fileira da minha frente".
Archerd, um veterano observador de Hollywood, também disse: "A alegria e exuberância dos vencedores do Oscar de domingo foram igualadas pela óbvia desaprovação da premiação pelo conjunto da obra a Kazan".


