Reação da indústria calçadista em Franca gera mil novos empregos
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segunda-feira, 17 de abril de 2000
Por Kelly Lima 
Ribeirão Preto, 18 (AE) - Com cerca de mil novas vagas abertas somente este ano, a indústria calçadista de Franca parece estar esboçando sinais de recuperação, após uma longa crise, que reduziu a base de trabalhadores da categoria de cerca de 30 mil para 15 mil entre 1994 e início de 99, período em que o Real ficou equiparado ao Dólar. Com a desvalorização da moeda nacional no início do ano passado e as perspectivas de aumento nas exportações, a base de trabalhadores nas indústrias calçadistas de Franca encerrou o ano passado com cerca de 17 mil trabalhadores para atingir a 18 mil este ano.
"Se continuar nesse ritmo, dentro de três anos, a indústria estará absorvendo a demanda por empregos na cidade", acredita o diretor do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Calçadistas, Paulo Afonso Ribeiro. É do próprio diretor do sindicato, a tese de que, além do aumento nas exportações, está começando a se formar na cidade a tendência de reversão da terceirização. Ou seja, indústrias que no início da década terceirizaram partes de sua produção, estão retomando as responsabilidades trabalhistas em nome de um menor custo e qualidade garantida para agregar maior valor ao seu produto no mercado internacional.
"Os processos de pesponto, corte e costura na forma, são áreas que determinam maior qualidade na finalização do produto", disse o diretor do sindicato, completando que na cidade atualmente existem pelo menos sete mil pessoas trabalhando nessa área, com serviço terceirizado, além do mercado informal. A Samello é um dos exemplos de que essa tendência existe. A empresa abriu este ano 400 vagas, elevando para 1.700 o número de funcionários, ao retomar os setores de pesponto e costura na forma. Segundo o gerente de Recursos Humanos da empresa, Amauri Scalhão, com a contratação, a empresa vai conseguir reduzir custos, já que as pequenas empresas terceirizadas que prestavam serviços à Samello haviam sido formadas por antigos funcionários, que possuíam altos salários.
"Para fazer esse serviço contratamos pessoas inexperientes, que estão sendo treinadas, e, esperamos, vão atingir o mesmo índice de produtividade dentro de aproximadamente seis meses", avaliou. Para o diretor administrativo do Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca
Américo Pizzo Júnior, o caso da Samello é isolado e ainda não representa uma tendência. "Isso pode vir a acontecer, caso mais empresas venham a tomar a mesma atitude. O que não é difícil de acontecer, em vista dos altos padrões de qualidade exigidos pelo mercado internacional. Ou seja, quem quiser Ter um produto mais bem melhor aceito lá fora, terá que se antecipar e se diferenciar dos concorrentes", analisou.
Em sua avaliação, o aumento de 64% no volume das exportações registrado em Franca nos dois primeiros meses deste ano ainda é o principal motivo das novas contratações. "A indústria de Franca está retomando seu espaço no mercado internacional. Este ano é de consolidação de mercado e as contratação vão acontecer na esteira disso", afirmou.


