Brasília, 17 (AE) - O apresentador Carlos Massa, o Ratinho, do SBT, não atendeu a um pedido feito pela família da dupla Zezé di Camargo e Luciano para que adiasse por alguns dias o anúncio de uma campanha nacional de arrecadação de recursos para pagar o resgate do compositor Wellington Camargo. O compositor Zezé di Camargo chegou a pedir ao apresentador, que o contatou previamente sobre a idéia do disque 0900, que esperasse mais alguns dias. A informação foi dada na última terça-feira pelo próprio compositor ao senador Eduardo Suplicy (PT-SP).
"Quando você tem conhecimento desta informação, fica difícil defender a história da solidariedade por parte do apresentador", disse hoje a socióloga e ex-deputada, Marta Suplicy, que se reuniu com o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, para propor medidas de controle de qualidade na programação das emissoras de televisão. "O Zezé havia sido contatado e pediu mais três dias porque as negociações estavam adiantadas", contou Marta, esposa do senador Suplicy. Segundo ela, se já existissem parâmetros de programação por parte das emissoras, fatos como este do Ratinho seriam inibidos.
"Eu fico estupefata", disse a socióloga. "Mesmo que não tivesse ocorrido este apelo por parte da família, está na hora de ter maior responsabilidade e de não ser tão inconsequente". Fundadora do Grupo TVer, criado há dois anos com o objetivo de debater e incentivar mudanças nas emissoras, Marta sugeriu que o governo tivesse a iniciativa de criar uma comissão tripartite, formada por representantes das emissoras, do governo e da sociedade civil para cuidar do conteúdo veiculado pelas televisões. Ela não acredita que as emissoras possam se reunir para decidir parâmetros comuns de sua programação.
"Esta comissão irá estabelecer parâmetros aceitáveis para determinados horários, elaborar regras a partir do debate com a sociedade civil", disse Marta. Segundo assessores de Pimenta da Veiga, ele gostou da idéia de criação desta comissão, que será analisada dentro da discussão da nova lei de radiodifusão. Pimenta da Veiga também afirmou que pretende fazer
possivelmente no segundo semestre, um grande seminário em Brasília e outras audiências públicas em sete grandes cidades do País para discutir a nova legislação do setor.
A comissão proposta pela ex-deputada irá discutir, por exemplo, punições para casos como o do apresentador Carlos Massa. "Este caso mostra a necessidade urgente de se fazer a regulamentação", avisou a sociológa. "Foi depois do seu programa que surgiu a orelha cortada", disse Marta.
Ela lembrou também que já existe uma projeto na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados para criação de uma subcomissão permanente do Senado e da Cãmara para receber queixas e sugestões sobre televisão. "O Congresso seria um fórum, um eco da sociedade", avisou Marta, que também acrescentou um pedido para criação de ouvidores em todas as emissoras de televisão aberta.
O ministro das Comunicações já pediu a gravação do programa do Ratinho da última sexta-feira para examinar se é possível aplicar alguma punição ao apresentador.

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