Ratinho é acusado de preconceito por representante de religiões afro
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 1999
Por Roldão Arruda 
São Paulo, 10 (AE) - Representantes de religiões de origem afro-brasileira vão pedir ao Ministério da Justiça que coiba os ataques que estariam sendo feitos contra eles no "Programa do Ratinho", no SBT. Eles afirmam que são vítimas de crimes de discriminação e preconceito. Hoje líderes religiosos de São Paulo, Rio e Salvador reuniram-se em São Paulo para discutir o assunto.
"O apresentador está instigando o ódio e a discórdia", disse o presidente da Federação Nacional de Tradição e Cultura Afro-Brasileira, Valmir Damasceno. Ele atua em São Paulo como pai-de-santo, nome que se dá aos sacerdotes nos terreiros de candomblé.
Segundo Damasceno, o ataque mais recente ocorreu no dia 4, quando Ratinho disse no ar que 92% dos pais-de-santo são homossexuais. "Não sei de onde ele tirou essa estatística, mas não tenho dúvida de que a intenção era humilhar os pais-de-santo", disse Damasceno. "O pior é que ainda humilhou os homossexuais, referindo-se a eles como um xingamento."
Falsidade - Outro ataque que deve ser lembrado ao ministro da Justiça, Renan Calheiros, ocorreu no dia 18 de outubro do ano passado. Naquele dia, a produção do programa pôs no ar uma cena com um suposto pai-de-santo, que dizia ter incorporado a entidade Zé Pelintra - um dos guias do candomblé. Ele acabou sendo espancado ao vivo. "Mais tarde, descobriu-se que o pai-de-santo era um desempregado que aceitou representar o papel por um cachê de R$ 300", disse Damasceno. "Quem pode negar que se trata de crime de discriminação?"
A produção do "Programa do Ratinho", exibido diariamente pelo SBT, não negou os fatos relatados por Damasceno. Mas informou que ainda é cedo para qualquer manifestação. "Vamos esperar alguma iniciativa oficial deles", disse Fábio Furiati, da direção artística. "Se for o caso, podemos convidá-los para vir ao programa também."
Esta será a segunda vez que representantes do candomblé se dirigem ao Ministério da Justiça. No ano passado reclamaram contra os pastores da Igreja Universal do Reino de Deus. Em carta ao ministro, os pais-de-santo afirmaram que vinham sendo sistematicamente humilhados em programas religiosos exibidos pela TV Record.
Números - Não existe nenhum número recente sobre o número de terreiros de candomblé no País. Seriam 50 mil, segundo estudos feitos há quase duas décadas na Universidade de São Paulo (USP). A federação estima que são 74 mil.


