Ratinho diz que 'está em negociação' com professores universitários
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quinta-feira, 25 de julho de 2019
Isabela Fleischmann - Grupo Folha 

O governador Ratinho Júnior (PSD) disse nesta quinta-feira (25) em Arapongas (Região Metropolitana de Londrina) que está em negociação com os reitores das universidades estaduais para que até o fim do mês encontrem uma solução de mais um impasse com os professores: a Comissão de Política Salarial indeferiu a contratação de professores temporários de cinco das sete universidades estaduais.
O governo argumenta que R$ 20 milhões foram gastos com serviços extraordinários e que a liberação para novo contrato depende da adesão das instituições ao sistema Meta 4. Uenp (Universidade Estadual do Norte Pioneiro) e Unicentro (Universidade Estadual do Centro Oeste) foram autorizadas a contratar temporários porque aderiram ao sistema.
Sem um novo contrato, a UEL (Universidade Estadual de Londrina) pode ter problemas para continuar serviços a partir do dia 1° de agosto, quando terminam os contratos temporários vigentes. Os temporários ajudam a compor o quadro de professores, já que 67 aprovados em último concurso ainda não foram nomeados.
Ratinho explica que o secretário de Administração, Reinhold Stephanes, e o superintendente de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, o reitor da Unicentro, Aldo Bona, estiveram nesta quarta (24) com os reitores para negociar. “Claro que a ideia do governo do Estado é poder fazer com que a gente defina e resolva o quanto antes, claro que tudo isso envolve recursos, envolve caixa do governo, onde temos segurado os recursos para que a gente não deixe o Estado entrar em situações difíceis como entraram outros Estados do Brasil que não conseguem nem pagar a folha de pagamento”, disse. O governador ainda alegou que “a rigidez com a questão financeira faz parte de um compromisso com o dinheiro público".
Ainda que outros sindicatos como o dos próprios servidores da UEL - a Assuel - tenham suspendido a greve, os professores da universidade de Londrina seguem mobilizados por rejeitarem a proposta de reposição da data-base de Ratinho, que prevê o pagamento de 5,08% de maneira parcelada. Pelo projeto, os primeiros 2% seriam pagos em janeiro de 2020 e o restante, duas parcelas de 1,5% cada, seria pago em janeiro de 2021 e janeiro de 2022, condicionados ao crescimento da receita líquida do Estado de ao menos 6,5% ao ano correspondente.
O comando de greve também defende pautas internas da universidade, como a contratação de temporários e o arquivamento da Lei Geral das Universidades, essa que, assim como o Meta4, retiraria a autonomia da universidade, de acordo com o sindicato.
“Aos servidores fizemos uma proposta, todos os sindicatos aceitaram, um ou outro tem alguma ponderação, mas nós vamos tocar”, limitou-se a responder Ratinho. O governador considera que os sindicatos “têm direito de fazer greve, claro”, mas que “99% dos servidores têm a compreensão do atual momento do País”. O governador justificou ainda o arrocho salarial com o compromisso do governo para com as finanças públicas.
Segundo Ratinho, o projeto de reposição dos servidores deve ser enviado à Alep (Assembleia Legislativa) na volta do recesso. “No início do mês será apresentado à Alep e caberá aos deputados votarem.”
RODOVIAS
Durante a entrevista coletiva, Ratinho ainda disse que a ideia do governo é licitar “o maior pacote de concessões de rodovias do Brasil”. Segundo o governador, o Paraná estuda, junto ao governo federal, licitar as concessões das rodovias paranaenses na bolsa de valores, para que assim empresas maiores sejam alcançadas e para que o preço dos pedágios seja reduzido.
São R$ 60 milhões da União empenhados em estudos para apresentar uma licitação ao final de 2020 com o novo pacote de concessões, segundo Ratinho. “Os contratos das atuais concessionárias vencem em 2021 e são antigos, desde 1997. O governo já montou uma equipe de trabalho com a Secretaria de Infraestrutura para fazer um pacote de concessões, vamos sair de 2.500 quilômetros para 4.100 quilômetros [de rodovias pedagiadas] com algumas exigências que nesse contrato não tem, para que as obras aconteçam logo do início do contrato, que foi um erro desse contrato, que as obras foram feitas só no final do contrato”.
Já sobre a duplicação da PR-445, Ratinho disse que o DER (Departamento de Estradas e Rodagem) tem cobrado o cumprimento do cronograma e que empresas que não cumprirem serão punidas administrativamente. “Da PR-445, o cronograma não está naquilo que é o ideal, mas está em um ritmo que atende”.
Os atuais contratos de concessão das estradas do Paraná estão na mira da investigação da Lava Jato. A Operação apura o desvio de dinheiro e a fraude de licitações das rodovias pedagiadas, que teriam irregularidades desde 2013.
AGENDA NO INTERIOR
São, ao todo, 15 municípios da região Norte que serão contemplados com R$ 10 milhões em investimentos. Em Arapongas, Ratinho esteve presente para a solenidade de entrega das reformas do Pronto Atendimento 24 horas. Trata-se de um complexo de saúde que agrupa o Centro de Especialidades Odontológicas e a Farmácia Central. Ratinho visita, ainda nesta sexta-feira (26), Ivaiporã (Centro) para anunciar obras e investimentos.


