Brasília, DF- Apesar do empenho do ministro da Saúde, Humberto Costa, em obter do Senado a ratificação da Convenção para o Controle do Tabaco, assinada em 2003, o governo está dividido sobre a matéria, segundo o senador Paulo Paim (PT-RS). Há temor de que a ratificação do acordo resultará na diminuição dos 2,4 milhões de empregos gerados no setor e a queda da arrecadação de impostos sobre a produção e venda de tabaco.
Dados do Anuário Brasileiro do Fumo de 2004 mostram que os impostos renderam ao governo R$ 6,46 bilhões no ano passado. ''Entre o lobby dos produtores e o da saúde, vencerá quem estiver mais forte'', prevê Paim, vice-presidente do Senado.
Assessores de Humberto Costa informam que, no retorno dos trabalhos do Legislativo, no dia 15, ele retomará as articulações no Senado para aprovar o texto o quanto antes. Sem isso, o Brasil não poderá participar das conferências em que serão acertados mecanismos de apoio financeiro a produtores que substituírem a cultura do fumo.
O acordo, patrocinado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), já conta com adesão de 55 países. O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados no início de 2004 e, desde então, está na Comissão de Relações Exteriores do Senado, sem previsão de votação.
Paulo Paim disse que a produção de fumo no Rio Grande do Sul só perde para a dos Estados Unidos. Daí o temor da bancada gaúcha de aprovar a Convenção, sem ter garantia de compensações.''O que temos é uma realidade que envolve milhares e milhares de empregos'', alega.
Outro argumento é que não dá para pressionar os agricultores, enquanto produtores, como Estados Unidos, Itália e Espanha, não ratificarem a convenção.

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