Rápido e mais barato que implante
O tratamento através da engenharia tecidual é mais simples do que parece. Para fazer a cultura, o dentista retira uma pequena porção da gengiva ou do osso. Neste último caso, Zortéa prefere usar células do osso ilíaco, que fica na bacia. Estas células têm alta capacidade de gerar outras que podem ser usadas depois em qualquer outro osso do organismo, indica. A partir daí, as células são dissociadas e colocadas em um ambiente que reproduz as condições do corpo humano. Depois, são induzidas a crescer: Esta indução é biológica, ou seja, não usamos nenhum tipo de elemente químico, garante o dentista. Quando alcança um determinado tamanho, a célula se divide e assim o processo continua indefinidamente.
Outra possibilidade comprovada pela pesquisa de Zortéa é adaptar o material que está sendo desenvolvido no laboratório ao formato desejado. É só fazer uma forma e esperar as células preencherem esse arcabouço, que depois é colocado na parte da boca onde estava faltando o tecido, explica. O processo é relativamente rápido. No caso das células gengivais, o tratamento pode ser feito em 15 a 30 dias; se a regeneração exigir células ósseas, demora de 60 a 90 dias.
Segundo Zortéa, a regeneração com culturas celulares vai custar mais barato que os implantes sintéticos. O material usado é retirado do próprio paciente e os laboratórios não precisam de equipamentos caros para o processo. O que encarece a técnica, por enquanto, é o investimento em pesquisa, aponta. O único senão que ainda está sendo investigado pelos pesquisadores é a possibilidade de envelhecimento precoce dessas células, como vem acontecendo com os clones: A gente ainda não sabe se essas células vão se comportar normalmente como as outras, depois de terem sido induzidas biologicamente. Só o tempo vai poder nos responder isso. (P.F.)





