Raoni pede fim da violência contra indígenas
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terça-feira, 19 de abril de 2005
Leonencio Nossa<br>Agência Estado 
Brasília, DF- O cacique Raoni, de 70 anos, voltou à cena política, com o velho botoque de madeira e o cocar amarelo. Famoso por percorrer o mundo ao lado do roqueiro Sting nos anos 80 e 90, o líder caiapó pediu ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), o fim da violência contra os povos indígenas e a saída dos médicos e enfermeiros da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) das reservas.
Ele quer que a Fundação Nacional do Índio (Funai) volte a cuidar das áreas de saúde e educação nas aldeias, como fazia até 1995. Raoni ficou bravo quando a sirene instalada na Câmara apitou indicando que o tempo de cinco minutos de discurso tinha acabado. ''Eu não sei por que branco está apitando, eu não sei'', disse, revoltado. O discurso foi feito na língua dos caiapós.
Deputados tiveram de explicar que outros índios precisavam discursar e que ele, Raoni, tinha encontro marcado com o presidente Lula. Havia tempo que um cacique não usava a tribuna da Câmara para reclamar de homem branco. Foi ali que o deputado Mário Juruna, eleito em 1982, cobrava promessas com gravações de conversas com autoridades.
Em um momento de emoção, Raoni disse que voltaria a defender a causa indígena, saindo do isolamento na aldeia em que vive no Pará. ''Raoni está dizendo para deputado que tem de respeitar cultura de índio'', disse. ''Vou começar de novo a lutar por direito de índio.''
Em seguida, Raoni liderou um grupo de 27 lideranças indígenas de diversas etnias que caminhou até o Planalto, onde seriam homenageados por Lula. No Salão Oeste do Palácio do Planalto, o cacique caiapó dançou para o presidente e aproveitou o contato para fazer pedidos a Lula, em português.


