Randon suspende vendas e prepara reajuste de preços
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quarta-feira, 27 de janeiro de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 27 (AE) - A Randon Implementos, principal empresa do grupo Randon, de Caxias do Sul (RS), suspendeu as vendas em todo o Brasil em função da crise do real e deve elevar seus preços na próxima semana. O comunicado foi expedido ontem (26) às 45 concessionárias que comercializam os reboques e semi-reboques para caminhões fabricados pela companhia e os negócios deverão ser reabertos depois da definição das novas tabelas.
Segundo o diretor corporativo do grupo, Astor Schmitt, o reajuste nos preços será "absolutamente inevitável" em função do aumento de custos. "Só não sabemos ainda de quanto", ressalvou. Ele explicou que a Randon está sofrendo pressões dos fornecedores por aumentos que vão de 6% a 30%, incluindo insumos, peças e componentes importados e, no mercado interno, nas áreas de aços planos e não- planos, alumínio, pneumáticos, tintas e elastômeros.
A Randon Implementos responde por cerca de 55% do faturamento bruto do grupo gaúcho, que atua ainda nos segmentos de autopeças e caminhões fora-de-estrada, áreas que também poderão ser impactadas pela crise cambial. Em 1998, o faturamento bruto do conglomerado deverá atingir US$ 570 milhões, sendo US$ 80 milhões com exportações. No período, as importações de insumos e componentes deverá fechar em US$ 40 milhões.
"Estamos acompanhando o quadro com muita apreensão", disse Schmitt. De acordo com ele, em alguns casos há "coerência" nos pedidos de reajuste feitos pelos fornecedores em função da elevação dos custos dos itens importados utilizados por essas empresas. No entanto, "há também uma grande dose de vontade de recomposição de margens ou de simples especulação que deve ser contida nas negociações e pelas autoridades governamentais, sob pena de voltarmos a conviver com a inflação", afirmou o executivo.
Com base na experiência de crises anteriores, Schmitt antevê algumas tendências para o futuro próximo da economia brasileira. Apenas uma delas pode ser considerada positiva: o aumento das exportações com redução das importações e consequente possibilidade de equilíbrio da balança comercial. As demais não são tão animadoras. Incluem uma "recessão forte" no mercado interno e picos de inflação e juros com recuo lento em função do próprio desaquecimento da atividade econômica.


