Jacarta, 26 (AE) - Por mais de duas décadas, José Ramos Horta castigou a Indonésia por sua invasão e domínio do Timor Leste, recebendo o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços. Hoje (26), ele encontrou um país mudado e também parecia um outro homem.
"Estou feliz por estar na nova e democrática Indonésia", disse Ramos Horta após chegar a um país que o qualificou como criminoso por acusar os soldados do ex-presidente Suharto de atrocidades e genocídio.
Mas Suharto renunciou há pouco mais de um ano em meio a conflitos sangrentos e protestos em favor da democracia. B. J. Habibie, seu sucessor escolhido a dedo, instituiu a partir de então reformas e concordou em permitir que os 800.000 habitantes do Timor Leste escolham entre a independência e a autonomia dentro da Indonésia.
Um referendo está marcado para agosto. As negociações estão encaminhas para definir a implementação de pacto de paz de 18 de junho visando a acabar com a violência entre facções pró-independência e pró-autonomia que deixaram pelo menos 34 mortos nos últimos dois meses. Milhares de pessoas fugiram de vilarejos em meio a acusações de intimidação por grupos milicianos.
Ramos Horta, que há menos de duas semanas declarou que voltaria à sua terra natal com permissão ou não da Indonésia, estava mais conciliador neste sábado.
"Estou feliz por estar aqui e agradeço ao governo indonésio. Sinto-me muito feliz por chegar a uma nova Indonésia pós-Suharto", disse Ramos Horta. Ele indicou que não visitaria o Timor Leste nesta viagem. Mas buscaria permissão para visitar a região em julho ou agosto.

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