Raiva canina triplica no Distrito Federal
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de agosto de 1999
Por Chico Araújo (especial para a AE) 
Brasília, 13 (AE) - O número de casos de raiva canina cresceu três vezes este ano no Distrito Federal em relação ao ano passado. São 21 casos da doença de fevereiro a agosto contra apenas sete do ano anterior. "A situação é extremamente preocupante", disse o chefe do Núcleo de Profilaxia da Raiva do DF, José Ricardo Lobo. Ele pediu ajuda do Exército, que colocará segunda-feira (16) 70 homens à disposição da Secretaria de Saúde para combater à doença.
Santa Maria, com 13 casos, e Park Way, 5, são as áreas de maior índice de infecção pela raiva. Até agora, Lobo ainda não descobriu as reais causas do aumento da doença. Ele explica que a preocupação da Secretaria de Saúde é evitar casos de raiva humana. A doença ainda não tem cura e fez sua última vítima humana em Brasília em 1978.
Para Lobo, o agravante é que os casos de raiva aumentaram também na região do Entorno, onde até o início de agosto havia sido registrado 24 animais doentes. O Núcleo de Profilaxia da Raiva antecipou a vacinação de cães e gatos. "Devido à gravidade dos problemas, estamos fazendo a vacinação de porta em porta nas cidades do DF", explica Ricardo Lobo. A vacinação começou dia 5 de julho e já foram imunizados 31.506 cães e gatos. Além da vacinação, o serviço dirigido por Lobo está sacrificando os animais contaminados. Só da região de Santa Maria foram mortos 746 cães, em 22 dias.
Lobo descarta a hipótese de um surto de raiva canina no Distrito Federal, mesmo diante da triplicação dos casos. Segundo ele, a Secretaria de Saúde trabalha para evitar a proliferação da doença, que, muitas vezes, demora até seis meses para se manifestar nos animais. "A raiva é uma doença virótica e que precisa ser acompanhada atentamente", alerta Ricardo Lobo. Ele diz que as pessoas devem ficar atentas ao comportamento do animal - cães e gatos - para descobrir se estão infectados. Um cão infectado com a raiva fica com latido rouco, não come, não bebe e tem salivação excessiva.
Atacada por um cão, a pessoa deve procurar orientação médica. Imediatamente após o ataque, aconselha Lobo, o atingido deve passar água com sabão no local da mordida antes de procurar o médico. "A raiva humana é letal e as pessoas precisam prevenir-se", esclarece Lobo.
Segundo ele, há vacina contra a doença e a pessoa mordida por cães devem tomar uma sequência de doses para não morrer. "Se a pessoa interromper o tratamento, corre risco de vida", explica Ricardo Lobo.


