Raiva canina no Mato Grosso
Rubens Valente
Agência Folha

Arquivo/Folha
PrevençãoA única maneira para prevenir adequadamente contra a raiva nos animais é através da vacinaçãoAs cidades de Cuiabá e Várzea Grande (MT) e Porto Velho (RO) estão enfrentando os maiores surtos de raiva canina já registrados nas cidades, com mais de 670 casos confirmados até agora. A coordenação nacional de zoonoses do Ministério da Saúde confirmou à Agência Folha que as três cidades, onde vivem aproximadamente um milhão de pessoas, se tornaram os maiores focos no país.
A Grande Cuiabá (que compreende a capital do MT e Várzea Grande) registrou cerca de 500 casos em 11 meses. O número de casos aumentou nos últimos quatro meses, mantendo agora uma média de um caso positivo por dia. Nos anos de 94, 95 e 96, ocorreram apenas dois casos da doença. Em Porto Velho ocorreram 172 casos desde janeiro, contra 200 durante todo o ano passado e nenhum em 96. A Prefeitura de Cuiabá está sacrificando em média 25 cães por dia para tentar conter o avanço da doença. O coordenador do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Cuiabá, Gerson Blatt, 43, estima que entre 10 mil a 15 mil cães na região não foram imunizados no ano passado. A campanha de vacinação atingiu aproximadamente 70 mil animais.
Blatt atribuiu o recente surto à baixa imunização da população canina nas cidades vizinhas nos anos anteriores a 97 - Cuiabá e Várzea Grande são separadas apenas pelo rio Cuiabá - e também pelo costume da população em criar os animais soltos nas ruas, facilitando o contato com outros animais contaminados.
A média diária de sacrifício em Porto Velho é de 20 cães. A Secretaria de Saúde da cidade lança hoje uma campanha pela vacinação da população canina e deu início a um arrastão na cidade.
O único caso em humanos nos últimos quatro anos na Grande Cuiabá ocorreu em junho do ano passado. Uma menina de 5 anos morreu dez dias após ser mordida pelo cão infectado de um vizinho.

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