Raios são responsáveis por 70% dos blecautes no Sudeste
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quinta-feira, 11 de março de 1999
Por Júlio Ottoboni 
São Paulo, 12 (AE) - No Sudeste, os raios e tempestades são responsáveis por 70% dos blecautes da região. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que estuda as descargas elétricas atmosféricas e seus efeitos. Segundo a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), cada 100 quilômetros de linhas de transmissão nessa porção do País é atingida por um relâmpago por ano. "Há duas semanas, tivemos um blecaute de 40 minutos por causa de um raio", disse, em São José dos Campos (SP), o pesquisador do Inpe, Osmar Pinto Júnior.
As descargas atmosféricas são intensas no Sudeste do Brasil. Uma tempestade de 30 minutos pode lançar sobre o solo cerca de 200 raios e causar sérios danos às redes de transmissão. "Mesmo caindo perto da linha, já ocorre a interrupção da passagem da energia elétrica", diz o cientista.
Segundo Pinto Júnior, há casos em que o relâmpago cai sobre as torres e danifica os cabos. Grande parte dos problemas detectados nas redes de transmissão, porém, é provocada por raios que caem perto das linhas de alta tensão. Conforme a potência da descarga atmosférica, há indução eletromagnética, que queima os transformadores das subestações.
Outra possibilidade de um fenômeno natural danificar ou prejudicar redes de alta tensão é conhecido como tempestades solares, que ocorre em períodos de 11 anos. Atualmente, o sol está tendo um desses ciclos de máxima atividade. As explosões nucleares que ocorrem em sua atmosfera expelem partículas em direção da terra, o que afeta os sistemas elétricos. Chuvas - Uma frente fria sobre o litoral de São Paulo provocou chuvas fortes em boa parte do Estado na noite de ontem. Segundo a meteorologista do Inpe em Cachoeira Paulista, Cristina Lourenço, o sistema frontal formou nuvens carregadas, que cobriram Mato Grosso do Sul e as regiões oeste e leste de São Paulo.
Essas nuvens costumam provocar chuvas com raios. No horário do blecaute, elas foram mais intensas na divisa de São Paulo com Mato Grosso do Sul e na região de Piracicaba e Marília. Em São Paulo, choveu em quase toda a capital, mas com intensidade diferente. Na zona norte, onde fica o Mirante de Santana, estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), foram registrados 14 mm. A frente fria já se deslocou para o litoral do Rio, mas as áreas de instabilidade continuam sobre São Paulo e devem manter o céu encoberto em quase todo o Estado, amanhã.


