São José dos Campos, SP, 16 (AE) - As primeiras análises sobre os dados meteorológicos no dia do blecaute na região de Bauru, interior de São Paulo, reforçam a hipótese de um raio ter atingido a subestação da Companhia Energética de São paulo (Cesp). Os radares do Ipmet, de Bauru, e as imagens do satélite Goes mostram a existência de um aglomerado de nuvens de tempestade, denominado Sistema Convectivo de Mesoescala na região e com forte atuação no momento do apagão.
Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) admitem a possibilidade de uma descarga elétrica atmosférica ter caído no local mesmo sem a existência de nuvens sobre área. Um relâmpago pode cair sem haver qualquer nuvem no céu e o poder de destruição sequer tem relação com a quantidade de descargas. Conhecido popularmente como "raio de céu limpo", a descarga atmosférica de polaridade positiva sai da cava superior dos nuvens cúmulus-nimbus e podem caminhar por vários quilômetros até ser atraído pelo solo. Mesmo essa explicação podendo parecer para o leigo algo pouco provável, é um dos argumentos mais fortes dos cientistas para explicar o que provocou o maior blecaute da história no Páis.
O pesquisador do Inpe e um dos maiores especialistas do País no assunto, Osmar Pinto Júnior, acredita que existem 90% de chances de um raio positivo ter provocado o incidente. O sistema convectivo que se encontrava a 70 quilômetros da cidade provocava uma forte tempestade com muitos relâmpagos no instante do blecaute. Bauru se encontrava na borda deste bolsão de nuvens. Porém, é nos limites desta nuvem gigante que ocorrem as descargas positivas. "É possível que tenha saído um raio positivo, caminhado horizontalmente por 10 quilômetros e atingido subestação", comentou.
Os dados recolhidos no dia e avaliados na última segunda-feira são, no entanto, de confiabilidade mediana. O Estado de São Paulo tem apenas duas antenas de rastreio de relâmpago, uma em Cachoeira Paulista e outra em Ibiúna. A cobertura deste equipamento na região de Bauru tem 70% de sua eficiência e uma margem de erro do alvo de dois quilômetros. Isto explica a ausência de raios na microrregião onde se encontra a subestação, apesar de ficar constatado algumas centenas deles próximos as linhas de transmissão.
Segundo Osmar Pinto Júnior, a análise conjunta e preliminar dos resultados apresentados pelo satélite, antenas e radar meteorológico apresenta indícios que reforçam essa hipótese. O pesquisador disse que precisaria de outras duas antenas detectoras, no centro e oeste do Estado, além da de Campinas que será instalada em julho, para monitorar todo território paulista. No último mês, caiu em São Paulo o dobro da média dos últimos dois anos e no sul Minas Gerais houve 300% a mais. Não há explicação para esse fenômeno.

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