Rainha vai a Jungmann e descarta trégua
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quarta-feira, 30 de abril de 1997
Agência Estado, de Brasília 
Ed Ferreira/Agência Estado
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DesconfortoO líder do MST, José Rainha Júnior (e), cumprimenta o ministro interino da Justiça, Milton Seligman. Ao centro o ministro da Política Fundiária, Raul Jungmann. Encontro marcou a retomada do diálogo entre o ministro e o líder sem-terra, suspenso há nove meses BRASÍLIA - Um constrangido aperto de mão marcou ontem o reinício do diálogo - suspenso há nove meses - entre o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, e o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Pontal do Paranapanema, José Rainha Júnior. Apesar do embaraço, a reaproximação rendeu frutos para o movimento. O líder do Pontal foi ao ministério para acertar a compra de uma fábrica de fécula de mandioca em Sandovalina e saiu com o aval do governo para fechar o negócio por R$ 4,7 milhões.
Durante o encontro, entretanto, nenhuma palavra sobre pacto ou trégua nas invasões. Pelo contrário, o líder do MST reafirmou que o movimento não pretende desistir da tática de invadir terras. Jungmann reconheceu que o encontro representava uma expectativa de avanço nas negociações entre governo e MST. O movimento mudou seu discurso, e já fez negociações em Sergipe, Mato Grosso e Paraná. Mas voltou a dizer que o governo não vai tolerar invasões.
Rainha afirmou que estava representando a cooperativa dos acampados do Pontal, e não o MST. No início da conversa, acompanhada pelo secretário de Justiça de São Paulo, Belisário Santos, e pelo ministro interino da Justiça, Milton Seligman, além de dois prefeitos da região paulista, Rainha evitava encarar Jungmann de frente.
O primeiro constrangimento surgiu quando os fotógrafos pediram para que repetissem o aperto de mão. Por mim não há problema, disse Jungmann. Não estou aqui pra fazer pose para a imprensa, retrucou Rainha, para logo em seguida concordar em cumprimentar o ministro.
Depois de fechar a compra, por R$ 4,7 milhões, de uma fecularia para a cooperativa, Rainha disse que o encontro não tinha a intenção de firmar um pacto. Estamos sempre dispostos a discutir, afirmou o líder do MST, ressaltando que o movimento não pretende recuar das invasões de terras.
Jungmann anunciou que o governo oficializou a criação da Superintendência do Incra no Pontal do Paranapanema. Garantiu também que no dia 20 de maio serão encerradas as vistorias nos imóveis rurais passíveis de desapropriação na região.


