Rainha teme novo julgamento no ES
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domingo, 27 de julho de 1997
Agência Estado Teodoro Sampaio 
O principal líder do Movimento dos Sem-Terra (MST) do Pontal do Paranapanema, José Rainha Junior, disse ontem em Teodoro Sampaio (SP), onde está em visita às suas bases, não ter esperança de ser absolvido, caso o segundo julgamento a que será submetido, no dia 16 de setembro, aconteça em Pedro Canário (ES). Segundo Rainha, os jurados daquela comarca já deram declarações que demonstram sua parcialidade. Ele espera que o Tribunal de Justiça daquele Estado acate o pedido de seus advogados para que ocorra o desaforamento do julgamento.
Acusado de co-autoria no homicídio do fazendeiro José Machado Neto e do policial militar Sérgio Narciso, ocorrido em 5 de junho de 1989, Rainha foi condenado no primeiro julgamento, em 10 de junho, a 26 anos e seis meses de prisão. Como sua sentença ultrapassou 20 anos, ele ganhou o direito a realização de novo julgamento.
O líder voltou a considerar político seu primeiro julgamento e afirmou que até hoje a acusação não apresentou nenhuma prova que pudesse incriminá-lo. Se o julgamento acontecer em outro local, não tenho dúvida de que serei absolvido, acrescentou Rainha.
MobilizaçãoSegundo Rainha, os advogados do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra já apresentaram três pedidos formais e legais de desaforamento tentando transferir o julgamento para outra comarca. Até agora o Tribunal de Justiça não se manifestou. O líder teme que, sendo confirmado para Pedro Canário, ocorra outra manifestação política dos jurados.
Justamente por isso Rainha disse que sua prioridade tem sido a mobilização da opinião pública para o novo julgamento. Hoje ele viaja para Brasília, onde vai participar de um evento e falar a cerca de 500 professores ligados ao MST. Posteriormente o líder do Movimento dos Sem-Terra pretende concentrar sua atuação nos órgãos governamentais e junto com autoridades.
Desde o primeiro julgamento, o líder do Pontal do Paranapanema manteve diversos e importantes contatos com setores da Igreja Católica, movimentos sindicais e partidos de esquerda com o objetivo de conseguir uma ampla mobilização de apoio no dia do julgamento.
Sua mulher, Diolinda Alves de Souza, que por conta do movimento dos trabalhadores também já esteve presa em mais de uma ocasião, viajou ontem para a Europa onde, com o mesmo objetivo, pretende manter contatos com organizações dos direitos humanos. Diolinda vai se avistar com representantes da área da Alemanha, França, Suíça e Inglaterra.


