Presidente Epitácio (SP) O líder dos sem-terra no Pontal do Paranapanema, José Rainha Júnior, propôs ontem uma ampla negociação entre os governos estadual e federal, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e lideranças ruralistas, com a participação da Igreja, para dissipar as tensões na região. ''Estamos abertos ao diálogo para buscar um entendimento.''
A mudança de tom no discurso de Rainha ocorreu um dia após o encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com lideranças do MST, em Brasília. Na segunda-feira ele falava em sair em marcha para ocupar praças em Presidente Prudente. ''Não há ocupação, nem promessa de ocupação. Há promessa de diálogo.''
Segundo Rainha, o presidente mostrou que está disposto a fazer a reforma agrária. E disse que a falta de dinheiro para um número maior de assentamentos este ano não impede o avanço nas negociações.
Rainha prometeu que as 3,6 mil famílias inscritas no seu acampamento não farão invasões. ''Vamos ter paciência e esperar.'' Sempre lembrando que não está autorizado a falar pelo MST, Rainha contou que estão sendo feitas articulações para fazer avançar a reforma agrária sem conflitos no Pontal.
Os líderes dos sem-terra mostraram-se assustados com o poderio das armas da milícia de um fazendeiro, mostradas ontem pela imprensa. Rainha disse que essa atitude é intimidadora e desnecessária, pois só acirra os ânimos. ''Não é isso que vai deter os sem-terra.''

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