Rainha pode ser preso se não comparecer a julgamento hoje
Agência Estado
De Vitória
O Ministério Público vai requerer a prisão preventiva do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), José Rainha Júnior, caso ele não compareça hoje ao julgamento em que é considerado réu por co-autoria nos homicídios do fazendeiro José Machado Neto e do soldado da Polícia Militar Sérgio Narciso da Silva, durante invasão de uma fazenda, em Pedro Canário (ES), em junho de 1989. O júri, que será realizado em Vitória, está marcado para as 8 horas. Duas das cinco testemunhas de defesa, que moram no Ceará, os advogados de Rainha Luiz Eduardo Greenhalgh e Aton Fon Filho e o próprio réu não teriam recebido as cartas precatórias intimando-os para o julgamento.
A informação foi confirmada ontem pelo deputado estadual Eudoro Santana (PSB-CE), uma das testemunhas de Rainha. Segundo o deputado, somente ele, o coronel PM Sebastião Jorge Leandro, e o vereador Narcílio Andrade (PMDB), de Fortaleza, receberam a carta precatória da 1ª Vara Criminal de Vitória. Santana, que desistiu de ir a Vitória por causa da incerteza na realização do júri, falou com Greenhalgh por telefone no sábado e o advogado lhe confirmou que ele, Fon Filho e Rainha também não haviam recebido o documento.
Para mim, isso não passa de manobra da defesa para adiar o julgamento, porque, mesmo que eles não tenham sido intimados, a realização do júri amanhã (hoje) é fato notório e conhecido pela opinião pública, até mesmo pelo MST, afirmou a promotora Ivanilce da Cruz Romão. Até sexta-feira, segundo ela, o aviso de recebimento das precatórias, com a assinaturas dos advogados, do réu e das testemunhas, não havia chegado ao fórum de Vitória. Vou me certificar disso amanhã (hoje); se o aviso chegar ao fórum antes do julgamento e Rainha não aparecer, pedirei a sua prisão preventiva, disse Ivanilce.
O juiz Ronaldo de Souza afirmou que irá apreciar na hora o pedido do MP, mas garantiu que o júri não será adiado. Todas as cartas precatórias foram enviadas, reforçou. O jurista Evandro Lins e Silva, que segundo MST também seria um dos assistentes da defesa, disse ontem que jamais foi constituído advogado no caso e que não tem nenhum conhecimento sobre a possibilidade de adiamento do julgamento.
Segundo o coordenador do MST no Espírito Santo, Juraci Portes, até o fim da tarde os advogados de Rainha não haviam feito contato.
Às 14 horas, 12 ônibus trazendo 600 sem-terra do interior do Estado chegaram a Vitória. Hoje, outros 28 vão se somar ao grupo. Só no aluguel dos ônibus a direção estadual do MST gastou R$ 20 mil. A intenção do movimento é de trazer 5 mil pessoas de quatro Estados Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Rio para assistir ao julgamento.





