Rainha-mãe queria negociar com Hitler, diz periódico5/Mar, 17:57 Londres, 05 (AE-ANSA) - A rainha-mãe da Inglaterra não queria entrar em guerra com Hitler por medo de perder a coroa e buscou uma reconciliação com a Alemanha até o último momento, garantiu hoje (05) o diário The Independent on Sunday. O periódico afirmou que a informação está contida nas cartas que tiveram a divulgação proibida até 2037, dentro da documentação relacionada com a abdicação do rei Eduardo VIII. Na quarta-feira passada, a Universidade de Oxford colocou à disposição dos estudiosos internacionais dez caixas contendo arquivos do visconde Walter Monckton de Brencheley, advogado e amigo de Eduardo VIII. Entretanto, a caixa de número 24 foi mantida em segredo, decisão respaldada na norma que proíbe a divulgação de documentos confidenciais relacionados com pessoas vivas. Até agora se acreditava que o objetivo das autoridades era de esconder algumas cartas escritas pela esposa de Jorge VI, a atual rainha-mãe, nas quais expressaria irritação com seu cunhado e com Wallis Simpson, a divorciada americana pela qual Eduardo VIII renunciou ao trono. Entretanto, o verdadeiro motivo do "desaparecimento" da caixa, escreveu o dominical britânico, é o conteúdo de uma série de cartas nas quais a rainha-mãe se opõe energicamente a se entrar em guerra com Hitler. Segundo a mesma fonte, existia uma estreita relação entre Isabel e o então ministro do Exterior, Lord Halifax, partidário da paz com a Alemanha. De acordo com o periódico, outras cartas demonstram a hostilidade que a rainha-mãe tinha para com Winston Churchil e sua esperança de ver Halifax em Downing Street, no lugar de Churchill. As polêmicas cartas, algumas das quais são endereçadas precisamente a Halifax, indicam também que entre os principais interesses da soberana estava a manutenção da monarquia na Grã- Bretanha. Para The Independent, se Halifax tivesse sido eleito, provavelmente teria feito um acordo com Hitler para manter a monarquia, num reino ocupado pelos nazistas.