São Paulo, 13 (AE) - O líder do MST João Pedro Stédile afirmou que José Rainha Júnior está no município de Teodoro Sampaio, onde reside. Segundo Stédile, ele esteve na cidade nos últimos 10 dias e poderia ter sido encontrado para receber a intimação para comparecer ao julgamento no Espírito Santo em sua residência. Com a ausência de Rainha, o juiz Ronaldo Gonçalves suspendeu a sessão e marcou um novo julgamento para março. Stédile afirmou que o MST tem convicção de que Rainha é inocente e o movimento tem trabalhado para esclarecer a opinião pública sobre isto. Para ele, a acusação contra Rainha é fruto de perseguição política.
O advogado de José Rainha Júnior, Aton Fon Filho, disse não acreditar que seja concedido pedido de prisão preventiva do líder dos sem-terra, como chegou a ser cogitado pela promotora Ivanilce da Cruz Romão. "A prisão pela ausência ao julgamento só pode ser decretada se Rainha tivesse ciência da realização da sessão", argumentou. Para Fon Filho, mesmo com a divulgação pela imprensa da data do julgamento, Rainha só poderia comparecer se fosse intimado. "Foi em decorrência das formalidades cumpridas de forma indireta que Rainha está envolvido neste processo. Queremos que o caso seja tratado de modo jurídico e expurgar dele a perseguição política", afirmou.
Stédile disse não temer prejuízos políticos ao MST por causa da ausência de José Rainha ao julgamento. Ele é acusado de co-autoria nas mortes do fazendeiro José Machado Neto e do PM Sérgio Narciso da Silva, ocorridas durante uma invasão de terras
em 1989. "Politicamente, a ausência de Rainha não faz diferença, porque temos convicção de sua inocência", disse. Stédile afirmou que o MST tem interesse na rápida resolução deste caso, assim como queria que o episódio de Eldorado dos Carajás, quando morreram 19 sem-terra, fosse resolvido. Ele explicou que, nos 15 anos de existência do MST, 1.600 trabalhadores, entre sem-terra e pessoas ligadas a eles, foram assassinados, mas apenas 40 crimes tiveram processo na Justiça para investigação. Destes, 14 resultaram em julgamento e só 3 culpados foram presos.

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