Rainha é preso em Teodoro Sampaio
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sexta-feira, 11 de julho de 2003
Agência Estado 
Teodoro Sampaio, SP - O principal líder dos sem-terra no Pontal do Paranapanema, José Rainha Júnior, de 43 anos, foi preso no início da tarde de ontem, em Teodoro Sampaio, e levado para um presídio de segurança máxima em Presidente Wenceslau. Rainha teve a prisão preventiva decretada pelo juiz Atis de Araujo Oliveira, da vara criminal da Comarca, em razão dos vários processos a que responde por invasão de propriedades.
Também foi preso o líder Felinto Procópio, o Mineirinho, um dos dirigentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) na região. Eles foram detidos quando prestavam depoimento no Fórum local. Rainha e Mineirinho são acusados de furto qualificado e formação de quadrilha. Os dois teriam liderado a invasão da Fazenda Santa Maria, em 2000, da qual desapareceu madeira de uma cerca.
Os líderes do MST foram algemados e levados para a Cadeia Pública. Eles dividiram as celas com 70 presos, entre eles muitos sem-terra e assentados. Por ordem do secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, os dois foram transferidos para a Penitenciária Maurício Henrique Pereira, em Presidente Wenceslau, a 80 quilômetros.
É a terceira prisão de José Rainha em pouco mais de um ano. As prisões dos líderes foram ordenadas às vésperas do encontro que o MST organiza, em conjunto com a Igreja Católica, em Teodoro Sampaio, amanhã e segunda-feira. Os coordenadores regionais do MST informaram que a programação será mantida. Está prevista a presença do ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto.
Mineirinho participava diretamente da organização. O juiz acatou um pedido do promotor Maurício Salvadore, para quem Rainha deveria permanecer preso enquanto responde a vários processos em andamento no Fórum local. O promotor havia requerido segredo de Justiça para o procedimento, mas o juiz não acatou.
Os advogados Roberto Rainha, irmão do líder, e Hamilton Henriques viajaram para São Paulo, a fim de tentar um habeas-corpus no Tribunal de Justiça. No começo do ano passado, Rainha ficou preso 26 dias na cadeia de Wenceslau, depois de ser flagrado levando no carro uma escopeta calibre 12, arma proibida para uso civil. Ele foi solto depois de um habeas-corpus concedido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas voltou a ser preso seis meses depois por formação de quadrilha. Desta vez amargou outros 62 dias na prisão. Os incidentes, principalmente a prisão com a escopeta, resultaram no seu afastamento da coordenação regional do MST.
Alguns dirigentes, como Gilmar Mauro, da direção estadual, defendiam sua exclusão do movimento. Nos últimos meses Rainha se dedicava a organizar um superacampamento às margens da rodovia vicinal SPV-35, em Presidente Epitácio, a 36 quilômetros de Wenceslau. O núcleo inicial foi inaugurado no dia 25 de maio, marcando o retorno do líder após um recolhimento de quase três anos. O acampamento passou a atrair multidões de sem-terra e já conta com 3.800 famílias. Rainha pretendia chegar a 5 mil famílias acampadas até agosto, criando o que chamou de ''a nova Caundos''.
Ontem a notícia da prisão causou apreensão no acampamento. O coordenador Edi Ronan Ribeiro garantiu que a situação estava tranquila e não estavam previstas manifestações.


