Agência Estado
De Vitória
O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), José Rainha Júnior, de 39 anos, começou a ser julgado ontem por participação em duplo homicídio ocorrido em Pedro Canário, norte do Espírito Santo. Rainha é acusado de co-autoria no assassinato do fazendeiro José Machado Neto e do soldado PM Sérgio Narciso Silva, durante conflito na Fazenda Ypuera, em 5 de junho de 1989. Em seu depoimento, o líder sem-terra negou participação nos crimes. O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva disse que há ‘‘uma determinação’’ do governo federal e possivelmente do Poder Judiciário em condenar Rainha.
‘‘É lógico que o governo e, talvez, o Poder Judiciário imaginem que, com a possível condenação, possa haver um refluxo do movimento sem-terra’’, disse. ‘‘É uma grande bobagem; haverá muito mais radicalização’’, disse. ‘‘Eu penso que há uma grande determinação do governo em punir o MST, que vem desde a caminhada a Brasília, em 1997’’. Lula chegou ao Fórum Muniz Freire, acompanhado do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e do coordenador nacional do MST, João Pedro Stédile.
Cerca de 3 mil sem-terra, trazidos de sete Estados, acompanham o julgamento a 200 metros do fórum.
No primeiro júri, em 1997, Rainha foi condenado a 26 anos e 6 meses de prisão. Como a pena passou de 20 anos, e conforme prevê o Código Penal, teve direito a novo júri. Antes da leitura dos autos, o juiz Ronaldo Gonçalves de Souza interrogou o líder sem-terra, que negou ter participado do crime. Alegou que morava no Ceará desde outubro de 1988. Quando perguntado se respondia a outro processo, disse que não, omitindo as ações no Pontal do Parapanema. ‘‘Houve incompreensão; o Rainha pensou que o juiz lhe havia perguntado se respondia a outro processo no Espírito Santo’’, disse o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh.
O primeiro dia do julgamento foi dedicado à leitura dos autos do processo, que têm oito volumes e cerca de 3 mil páginas. No fim da tarde, um requerimento da acusação irritou a defesa. A acusação queria que integrantes do MST da platéia se retirassem do plenário, porque estavam com camisas vermelhas do movimento.

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