Rainha diz que tensão aumentará no campo
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terça-feira, 18 de abril de 2000
Por Luiz Carlos Lopes 
Marília, 19 (AE)- Depois de advertir que a ameaça do ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, de suspender definitivamente as vistorias e desapropriações de fazendas invadidas pelo Movimento dos Sem-Terra (MST), deve acirrar o clima de tensão na luta pela reforma agrária, o principal líder do movimento no Pontal do Paranapanema, José Rainha Júnior desafiou hoje o governo a cumprir a Constituição Brasileira, como principal forma de evitar as invasões de propriedades e prédios públicos.
Rainha disse que se o governo cumprisse a Constituição, desapropriando terras improdutivas e realizando assentamentos, não haveria razões para o MST intensificar suas ações. Segundo ele, o governo só age quando é pressionado pelas invasões.
"Temos levantamento que mostram que 92% das áreas transformadas em assentamentos no Pontal foram frutos das ocupações", lembrou. O líder duvidou da eficácia das medidas anunciadas. "O número de ocupações vai dobrar e vamos assentar sim, os trabalhadores"
garantiu. Segundo Rainha o ministro Jungmann precisar parar de fazer discursos e resolver as questões agrárias. "No caso do Pontal estamos avisando que existe risco eminente de conflito pois os fazendeiros estão armados e nada está sendo feito para desarmá-los; depois que os fatos ocorrem ai ele aparece querendo apressar as desapropriações", afirmou.
Rainha informou que na terça-feira encaminhou ofício ao governador Mário Covas, com cópias para o ministérios da Justiça e do Desenvolvimento Agrário, chamando a atenção para os problemas existentes no Pontal e convidando-os a visitarem a região. "Eles que não devem esperar os corpos espalhados no chão para visitarem o Pontal, pois ai será tarde", explicou.
UDR - Para a presidente da União Democrática Ruralista (UDR) do Pontal do Paranapanema, Tânia Tenório de Farias, o governo não precisaria criar novas medidas para evitar as investidas do MST. "Basta que ele faça cumprir as leis já existentes". Em sua opinião, o governo sempre andou à reboque das invasões do MST e agora tenta fazer cena anunciando medidas de impacto. "Há mais de dois anos lutamos pela aprovação de uma lei que proíba a desapropriação de áreas invadidas e até agora ela continua sendo discutida no Congresso", disse.
De acordo com a presidente da UDR, o anúncio de que o governo planeja terceirizar a reforma agrária "é a maior prova do fracasso do modelo adotado e o reconhecimento oficial de sua inviabilidade". Segundo Tânia Tenório, " o Brasil já investiu mais de US$ 12 bilhões, para criar um setor quebrado e agora quer empurrar o problema para o setor privado".
Tensão - O líder José Rainha Júnior voltou a dizer que fazendeiros armados tem desfilado à noite com suas camionetas em frente do acampamento dos sem-terra, na fazenda Peretti, invadida pelo MST, na segunda feira. Segundo ele, o clima é de tensão já que muitos sem-terra, atraídos pela invasão continuam chegando ao acampamento. Rainha disse que os fazendeiros "estão montando um exército" para enfrentar os sem-terra.
A presidente da UDR também admitiu que o clima é tenso na região, mas descartou a possibilidade de que os fazendeiros ajam pela força para retirar os invasores. "Somos pela legalidade e vamos esperar a manifestação da Justiça", disse. De acordo com Tânia Tenório, a maior preocupação está relacionada com fazendas vizinhas onde os proprietários estão dispostos a rechaçar qualquer tentativa de nova invasão.
O advogado da UDR, Coraldido Sanches Vendramini, disse que espera para as próximas horas a manifestação da Justiça ao pedido de reintegração de posse da fazenda Peretti. "A juíza encaminhou os autos a promotoria e só depois é que dará sua decisão", informou.


