Rainha da Suécia lança programa assistencial em SP14/Mar, 21:20 Por Luciana Garbin São Paulo, 14 (AE) - A história de um garoto de rua que dizia que uma caixa de papelão era sua casa emocionou a rainha Sílvia, da Suécia, numa de suas visitas ao Brasil, há alguns anos. No vôo de volta ao seu país, ela lembrou do caso e decidiu fazer algo pelas crianças carentes. Conversou com o governo sueco, ouviu a opinião do marido, o rei Carlos Gustavo, pediu ajuda a empresas americanas, suecas e alemãs e fundou, em agosto o World Childhood Foundation (WCF). Hoje, ela esteve em São Paulo para lançar o braço brasileiro da instituição, o WCF-Brasil. A entidade, sem fins lucrativos, deve arrecadar fundos para financiar projetos comunitários, apoiar a promoção dos direitos da infância e juventude e fortalecer entidades que se dedicam a crianças e adolescentes vítimas de violência e abuso sexual. O WCF já está presente em outros países, como Letônia, Rússia e a própria Suécia. A escolha do Brasil ocorreu principalmente por razões sentimentais. Afeição - "Criei-me no Brasil e, por isso, tenho uma afeição especial pelas crianças brasileiras", disse. A rainha Sílvia viveu dos 4 aos 13 anos em São Paulo, enquanto o pai, um executivo alemão, montava aqui a filial de uma empresa européia. Sempre acompanhada pela equipe de televisão sueca TV-4, que está preparando um vídeo sobre os projetos de assistência brasileiros, Sílvia Renata de Toledo Sommerlath lembrou dos anos vividos na capital. "Naquela época, São Paulo era muito menor, o problema social existia, mas não estava tão perto das pessoas", recorda. "Passei uma infância muito gostosa, com pais que sempre me ajudaram e com muita tolerância e respeito". Olimpíadas - Em 1957, Sílvia voltou à Alemanha com a família. Quinze anos depois, quando trabalhava como chefe do cerimonial nas Olimpíadas de Munique, conheceu o marido. Hoje, na abertura de seu discurso no Centro Empresarial Itausa, ela lembrou, que nos quase 25 anos como rainha, sua função como representante da Suécia é sempre analisada sob o brilho das tarefas de política exterior. Mas ela considera seu trabalho muito mais amplo. "Trata-se de voltar a atenção às necessidades da população dos países que visito e do que descubro ao conversar com pessoas em asilos, crianças de rua, famílias carentes e miseráveis em favelas", afirmou. "Convido todas as pessoas de boa vontade a unir-se a mim". Nem os nobres de outras famílias reais européias devem escapar. Como fez em 1994, quando lançou um projeto contra as drogas e arregimentou príncipes e princesas para ajudá-la, a rainha já planeja conscientizar outros soberanos para o projeto em favor das crianças e adolescentes brasileiros. Hoje à noite, Sílvia embarcaria de volta para a Suécia, com o rei, as filhas, Victoria e Madeleine, e a comitiva. Durante a visita ao País, a família real sueca acompanhou o carnaval na Bahia.

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