Rainha cria federação de assentados
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sábado, 24 de dezembro de 2005
José Maria Tomazela<br>Agência Estado 
Sorocaba- O líder dos sem-terra José Rainha Júnior, de 47 anos, está criando a Federação das Associações de Assentamentos, Acampamentos e Agricultores Familiares do Oeste Paulista, entidade similar à Associação Nacional de Cooperação Agrícola (Anca), braço jurídico do Movimento dos Sem Terra (MST), que foi objeto de investigação pela CPI da Terra. A nova entidade, com sede em Mirante do Paranapanema, no Pontal do Paranapanema, extremo oeste de São Paulo, nasce à revelia do MST, embora a maioria dos associados seja vinculada ao movimento.
A federação vai reunir 150 associações, das quais 90 já se inscreveram. Além de acampados e assentados do MST, a entidade abriga associações de pequenos agricultores e assentados vinculados a sindicatos e outros movimentos. De acordo com o secretário de Desenvolvimento Agrário de Mirante, Itamar Cavalcante, a entidade terá 30 dirigentes que atuarão de forma colegiada.
''Não vamos repetir os erros que o MST comete com o centralismo democrático deles'', disse. Parte desse colegiado já foi escolhida e entre os membros estão o próprio Cavalcante e José Rainha. O estatuto deve ser registrado na próxima semana. A federação terá personalidade jurídica, segundo o secretário. ''Queremos que os assentados e pequenos agricultores tenham um braço legal e institucional para captar recursos e realizar projetos.''
Um dos primeiros projetos da entidade será a instalação de uma fábrica de biodiesel no oeste paulista, administrada pelas cooperativas associadas. ''Os trabalhadores serão acionistas do empreendimento'', disse o dirigente. A nova entidade pode esvaziar a Cooperativa dos Assentados da Reforma Agrária no Pontal (Cocamp), instalada em Teodoro Sampaio e administrada pelo MST regional.
Rainha já foi dirigente da Cocamp e, depois que deixou a administração, foi acusado pelo suposto desvio de R$ 280 mil da cooperativa. Ele negou o desvio, investigado também pela CPI da Terra, mas admitiu que ''emprestou'' sua conta bancária para receber um financiamento destinado à Cocamp, que estava com o crédito bloqueado. A verba, segundo ele, foi integralmente repassada.
Em várias ocasiões, Rainha disse ter sido acusado injustamente pelos próprios companheiros do movimento. Foi o que o levou a se afastar das lideranças regionais do MST, provocando um racha no Pontal.
De acordo com Cavalcante, a bandeira da luta pela terra, do MST, será acrescida da luta pelo desenvolvimento do campo. ''Nossos associados continuarão fazendo ocupações, mas com o foco voltado para a melhoria das condições de vida.'' A direção nacional do MST informou ''desconhecer'' a entidade formada por seus assentados e acampados.


