O principal líder do Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Pontal do Paranapanema, José Rainha Júnior, considerou ontem o assassinato de administrador por sem-terra acampados em Mato Grosso do Sul ‘‘reflexo da gravidade da crise no meio rural’’. Evitando comentar diretamente o caso, por ‘‘estar distante e não conhecer detalhes’’, Rainha disse que situações como esta indicam que a situação é semelhante a de um barril de pólvora prestes a explodir. ‘‘Só espero que os que estão dormindo no poder, não acordem tarde demais’’, disse.
O líder lembrou que tem alertado as autoridades federais
sobre o clima de tensão existente no campo. De acordo com Rainha, o clima no Pontal do Paranapanema é uma demonstração da tensão existente no campo. ‘‘Os fazendeiros estão se armando e temos alertado para o risco de ocorrerem conflitos de graves proporções, mas até agora nada foi feito’’, lembrou.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, lamentou a morte do administrador Luís Corrêa da Silva. ‘‘É lamentável e a minha expectativa é de que os responsáveis irão para a cadeia e que paguem pelo crime’’, disse o ministro após solenidade realizada na Agência Central dos Correios, em que assentados da reforma agrária efetuaram o primeiro pagamento de seus lotes.
‘‘Do mesmo jeito que nós não admitimos nenhuma violência contra os sem-terra, é inadmissível que qualquer sem-terra, se forem eles os responsáveis, cometam uma violência como essa’’, frisou.

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