Rainha atribui crime a crise
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de julho de 2000
Das agências De Marília, SP 
O principal líder do Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Pontal do Paranapanema, José Rainha Júnior, considerou ontem o assassinato de administrador por sem-terra acampados em Mato Grosso do Sul reflexo da gravidade da crise no meio rural. Evitando comentar diretamente o caso, por estar distante e não conhecer detalhes, Rainha disse que situações como esta indicam que a situação é semelhante a de um barril de pólvora prestes a explodir. Só espero que os que estão dormindo no poder, não acordem tarde demais, disse.
O líder lembrou que tem alertado as autoridades federais
sobre o clima de tensão existente no campo. De acordo com Rainha, o clima no Pontal do Paranapanema é uma demonstração da tensão existente no campo. Os fazendeiros estão se armando e temos alertado para o risco de ocorrerem conflitos de graves proporções, mas até agora nada foi feito, lembrou.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, lamentou a morte do administrador Luís Corrêa da Silva. É lamentável e a minha expectativa é de que os responsáveis irão para a cadeia e que paguem pelo crime, disse o ministro após solenidade realizada na Agência Central dos Correios, em que assentados da reforma agrária efetuaram o primeiro pagamento de seus lotes.
Do mesmo jeito que nós não admitimos nenhuma violência contra os sem-terra, é inadmissível que qualquer sem-terra, se forem eles os responsáveis, cometam uma violência como essa, frisou.


