Rainha ameaça com novas invasões ao Itesp
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2000
Por Luiz Carlos Lopes 
Marília, SP, 24 (AE) - O principal líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) do Pontal do Paranapanema, José Rainha Júnior, alertou hoje o governo do Estado a não iniciar uma queda-de-braço com os acampados da região, pois isso poderá significar o recrudescimento do clima de insatisfação na região. Rainha insiste em ser recebido pelo governador Mário Covas a quem pretende expor os problemas dos assentados.
Caso não seja atendido ele ameaça mobilizar, na próxima semana, mais de três mil lavradores acampados na região para invadir novamente os escritórios do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp). No começo desta semana, sete escritórios do órgão foram invadidos por l.200 trabalhadores e no dia seguinte desocupados pacificamente, depois que a Justiça de Presidente Prudente concedeu liminar de reintegração de posse do prédio ocupado naquela cidade.
Rainha insiste em discutir os problemas do Pontal com o governador Covas, a quem acusa de não cumprir a promessa feita aos assentados de liberar recursos financeiros para investimentos. Ele disse que as ações de ocupação do órgão foram para forçar o governo do Estado a acelerar o processo de reforma agrária em áreas que considera devolutas.
A situação da maioria das seis mil famílias assentadas no Pontal, disse o líder, é de grande dificuldade pela falta de linhas de créditos para lavouras. Segundo ele, em 7 de dezembro o governador Covas prometeu recursos, mas até agora o dinheiro não foi liberado.
O líder também acusa o Itesp de buscar o enfrentamento com o MST, na medida em que, segundo ele, cria dificuldades para a liberação dos recursos. "A situação é conflitiva e não adianta o governo do Estado desencadear uma queda-de-braço com os lavradores, porque estamos determinados a mobilizar todas nossas forças para alcançar o que queremos", afirmou.


