Rainha afirma que não
vai incentivar saques
Agência Estado
O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) José Rainha Júnior voltou a acusar a chamada ‘‘indústria da seca’’ pelos saques que estão ocorrendo no Nordeste. ‘‘O que é mais perigoso para o Brasil, buscar comida para matar a fome ou morrer de fome?’, indagou, dizendo que ‘‘está faltando gente’’ para ‘‘peitar os coronéis do Nordeste’’, que teriam responsabilidade, na visão do líder, junto com o governo pela miséria da região. Sobre as declarações do presidente da República interino, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) que defendeu a prisão dos saqueadores, Rainha ironizou. ‘‘Vindo dele contra as oposições se pode esperar tudo’’.
Rainha foi a Salvador para se reunir com dirigentes locais do MST e negou que sua passagem pelos estados nordestinos seja para organizar saques. ‘‘Os saques existem no Nordeste, pelo que eu sei, há cem anos; a única novidade é o MST’’, declarou, afirmando que o governo federal pode evitar os saques adotando medidas concretas para matar a fome dos flagelados. Ele disse que dos 1.200 municípios do Nordeste que estão sofrendo com a seca o MST tem acampamentos em menos de 200. ‘‘Isso prova que não é o MST que está gerando o problema e sim a irresponsabilidade do governo’’.
Ao desembarcar na noite de ontem na capital baiana, Rainha disse não ter conhecimento do saque ocorrido no município baiano de Curaçá. Tampouco cogitava viajar até a região para saber mais detalhes do episódio.

mockup