Teerã, 23 (AE-AP-ANSA) - O ex-presidente iraniano Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, um dos principais representantes da ala conservadora e centrista na eleição parlamentar de sexta-feira, conseguiu eleger-se deputado por pequena margem de votos. Resultados preliminares, não oficiais, indicam que ele ficou em 29º lugar na disputa pelas 30 cadeiras reservadas aos eleitores da capital, Teerã, principal distrito do país.
Rafsanjani corria o risco de ter de disputar o segundo turno, em abril. Apesar do mau desempenho nas urnas, Rafsanjani ainda é aspirante à presidência do Parlamento (Majlis), ocupada desde a Revolução Islâmica por políticos alinhados com o regime clerical. Mas os reformistas conquistaram mais de 70% dos assentos no Majlis e esperam alçar a esse estratégico cargo o candidato mais votado, o médico Mohammad Reza Khatami - irmão do presidente Mohammad Khatami.
O partido de Reza Khatami, a Frente de Participação do Irã Islâmico deve preencher 109 das 290 cadeiras. Os resultados oficiais serão divulgados nesta quinta-feira. A estimativa é que cerca de 70 lugares serão preenchidos no segundo turno.
Destacados políticos linha-dura iranianos admitiram hoje ter cometido erros na campanha eleitoral, mas também culparam a imprensa local e estrangeira pela sua derrota nas urnas. A ala conservadora, até então majoritária, conquistou apenas 44 assentos.
"O mau desempenho dos candidatos da direita é resultado de uma campanha coordenada dos jornais reformistas e emissoras de rádio estrangeiras. Uma onda de mentiras é responsável por esta situação", afirmou a um jornal iraniano o ex-deputado Kamal Daneshyar, que não conseguiu reeleger-se. Daneshyar reconheceu, porém, que o "povo quer maior liberdade em questões sociais e pessoais" e as políticas adotadas até agora pelo regime falharam. Um outro político que perdeu sua cadeira no majlis, o clérigo Mohammadreza Faker, virou as costas para repórteres que queriam entrevistá-los. "Estou muito aborrecido com vocês", afirmou. "Vocês destruíram tudo."
Ainda hoje, jornais iranianos informaram que o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, concedeu indulto a dois estudantes presos no ano passado e condenados a 3 anos de prisão. Eles foram acusados de publicar uma peça satírica insultando figuras sagradas do Islã.

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