Radioterapia com menos sessões
Estudos já são conduzidos no Hospital do Câncer de Londrina e serão tema na 17ª edição do EncontrosFolha
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de novembro de 2022
Estudos já são conduzidos no Hospital do Câncer de Londrina e serão tema na 17ª edição do EncontrosFolha
Micaela Orikasa - Grupo Folha
Com a tecnologia aplicada aos equipamentos nas últimas décadas, a radioterapia tem evoluído no tratamento contra o câncer, permitindo aos especialistas avançarem também em conhecimento sobre a modalidade terapêutica. O primeiro e grande salto que a tecnologia trouxe para a área foi a introdução dos exames de imagem, garantindo maior precisão na região a ser tratada. Agora, os estudos apontam para a possibilidade de redução no número de frações (sessões).
Geralmente, um quadro de tumor de próstata pode ter a indicação de 38 sessões de radioterapia, mas com maior exatidão no posicionamento da lesão e a possibilidade de testar doses mais altas, considerando o perfil do paciente, essas aplicações podem ser reduzidas para 20 ou até cinco sessões.
Essa evolução vem sendo analisada em estudos no HCL (Hospital do Câncer de Londrina) e será uma das abordagens da 17ª edição do EncontrosFolha, cujo tema é “A tecnologia e inteligência artificial a serviço da saúde”, com a participação do radio-oncologista Diogo Dias do Prado.
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“Como radioterapeuta, acreditamos que o futuro da radioterapia se baseia muito na questão de fracionamento. Existem vários sítios tumorais que são objetos de estudo hoje para redução de número de dias para tratar. Isso aumenta a disponibilidade das máquinas para que mais pacientes a utilizem, reduz a frequência do paciente no ambiente hospitalar e o tempo de tratamento. A tecnologia permite tratar o paciente mais rápido e com precisão”, destaca.
Em teoria, cerca de 70% dos pacientes diagnosticados com câncer têm a indicação de tratamento com radioterapia. O fato de o HCL atender hoje cerca de 220 municípios do Paraná, envolvendo uma média de 1.200 pacientes a cada dia, leva a instituição a investir também em ensino e pesquisa, como este estudo que vem sendo conduzido na área de radioterapia.
No momento, dez casos estão sendo analisados, mas a pesquisa deve abranger um total de 30 pacientes com tumores iniciais, considerando tamanho limitado (do tumor), cirurgia conservadora e bom perfil histológico. “A ideia é que estes pacientes passem por tratamento em cinco frações. Quando um desses critérios não são atendidos, voltamos para o fracionamento convencional”, comenta Prado, adiantando que os estudos envolvendo tumores de próstata e mama são os mais avançados. “Estudos já mostraram que efeito toxicológico a curto prazo é semelhante ao tratamento convencional, mas estamos fazendo uma implementação cautelosa, considerando toda a análise de segurança”, diz.
RECONHECIMENTO MUNDIAL
Hoje, o HCL tem reconhecimento mundial em pesquisa clínica. “O alto volume de atendimentos acaba sendo interessante para que laboratórios e outras instituições façam pesquisa em determinadas áreas do câncer aqui no HCL. No uso de medicações, por exemplo, que surgem a cada dia a partir de novas tecnologias, o hospital tem parcerias com laboratórios para fazer os ajustes finos dessas drogas. Isso acaba sendo um benefício para os pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde), que acessam medicações inovadoras e exames custeados por essa parceria”, comenta o administrador geral do HCL, Edmilson da Silva Garcia.
No uso da inteligência artificial, Garcia destaca a base de dados que possibilita ao hospital cruzar informações de pacientes, antever situações, avaliar o contexto de saúde de determinada região e até evoluir no tratamento dos pacientes. “Conseguimos traçar uma linha de análise sobre o que está sendo otimizado e o que precisa ser mais efetivo nos atendimentos. Esse avanço ajuda a diminuir o tempo de internação e, consequentemente, de despesas porque também nos permite eliminar procedimentos desnecessários”, diz.
Todo esse avanço tecnológico, segundo Garcia, coloca o HCL no mesmo patamar das melhores instituições de tratamento de câncer do mundo. De acordo com ele, uma pesquisa realizada em 2021 com mais de 40 mil especialistas de 20 países posiciona o hospital no ranking das 250 melhores instituições especializadas em tratamento oncológico. No Brasil, são apenas sete instituições, sendo seis do estado de São Paulo.
“As tecnologias estão evoluindo para que possamos melhorar os índices de tratamentos oncológicos. Temos observado um avanço no nosso índice de cura no HCL, de maneira global, que ultrapassa 90%. Mas em se tratando de vidas, precisamos aprimorar mais e investir em todos os recursos necessários para salvar o maior número possível de vidas. Dessa forma, o tema do EncontrosFolha é extremamente essencial porque traz e dissemina conhecimentos tanto da visão de assistência médica quanto de instituições de saúde, e por proporcionar um espaço favorável à troca de experiências”, ressalta.
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