A telefonia móvel fez surgir outra preocupação: a radiação emitida pelas estações radiobase, conhecidas pela população como torres de celular. Quem mora perto dessas antenas, que já são cerca de 600 na área metropolitana de São Paulo, organiza movimentos com medo de possíveis efeitos nocivos à saúde, que também não foram comprovados. Em resposta às manifestações, realizadas desde 1994, algumas prefeituras fizeram legislação sobre instalação e operação das estações radiobase em áreas urbanas.
‘‘Cidades como Campinas exageraram para baixo e adotaram limites muito rigorosos de radiação’’, afirma o engenheiro de telecomunicações Álvaro Bártholo. Segundo Flávio Gordon, arquiteto da Secretaria da Saúde de Campinas, a medida foi tomada por precaução. Na cidade, nenhuma antena pode emitir mais que 100 microwatts de potência, sendo que as recomendações internacionais permitem que as estações radiobase emitam até 435 microwatts. ‘‘Se não há dados conclusivos sobre os prejuízos à saúde, não podíamos subestimar os efeitos’’, justifica Gordon.
O grupo de estudos de efeitos biológicos da Associação Brasileira de Compatibilidade Eletromagnética (Abricem) faz medições da radiação em estações radiobase a pedido das empresas de telefonia celular ou dos governos. Já foram emitidos mais de 300 laudos que indicam que a maioria das torres estão em conformidade com os limites de exposição à radiação estabelecidos internacionalmente. ‘‘Quando não estão de acordo, pede-se para aumentar a altura da estação ou mesmo para baixar a radiofrequência’’, diz Bártholo.
Em Belo Horizonte, há também a preocupação com a ocupação do solo pelas torres. ‘‘A prefeitura observa se elas interferem no aspecto urbanístico da cidade’’, explica o diretor de controle ambiental da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Vicente Loyola. A capital mineira segue as diretrizes da Anatel para os limites de radiação.(R.C.)

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