Radiação de celular não causa dano à saúde
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de janeiro de 2006
Silvana Guaiume<br>Agência Estado 
Campinas- A radiação dos telefones celulares disponíveis no mercado não causa danos às células humanas, embora ainda não haja nenhuma conclusão definitiva sobre efeitos cumulativos. Esta foi a conclusão apresentada em estudo desenvolvido no Laboratório de Citogenética e Cultivo Celular do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). As células são afetadas, segundo a pesquisa, quando a radiação é superior a 20 watts por quilo de massa corporal, número dez vezes maior que o limite estabelecido internacionalmente.
De acordo com o trabalho, os telefones celulares no mercado apresentam taxas aproximadas de 1.5 e 1.6 watts. A coordenadora da pesquisa, professora Juliana Heinrich, bióloga e geneticista responsável pelo Laboratório de Citogenética, explicou que a exposição do usuário de celular ''nunca vai chegar'' a 20 watts, mesmo que ele more perto de uma antena. Ela comentou, porém, que trabalhadores que fazem manutenção das antenas podem estar submetidos a uma exposição neste nível.
''Foi uma possibilidade apontada nos estudos, ainda que os trabalhadores não tenham sido avaliados'', argumentou a pesquisadora. O trabalho utilizou amostras de sangue de dez doadores voluntários, com as quais foram desenvolvidos 200 ensaios, contou. Ela disse que as amostras foram expostas à radiação não-ionizante do celular por 72 horas contínuas e não ocorreram danos às células.
Juliana comentou que a pesquisa foi dividida em duas etapas. Na primeira, os pesquisadores estudaram 221 trabalhos científicos mundiais sobre o tema para conhecer os resultados. Depois disso, definiram a metodologia que seria utilizada. Os cientistas construíram um sistema de alta confiabilidade que reproduziu os índices de radiação aos quais uma pessoa seria submetida numa conversa ao telefone.


