Radares móveis da PRF passam por aferição do Ipem

Verificação teve que aguardar imbróglio judicial sobre a utilização dos equipamentos após medida de Bolsonaro

Vitor Struck - Grupo Folha
Vitor Struck - Grupo Folha

Para garantir o cumprimento da legislação de trânsito sobre o limite de velocidade em rodovias, o Ipem-PR (Instituto de Pesos e Medidas do Paraná) aferiu na tarde desta segunda-feira (13) a calibração de quatro radares móveis utilizados pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) na região de Londrina. Após aprovados nos testes, os equipamentos foram encaminhados para os postos da PRF de Santo Antônio da Platina, Apucarana, Ibiporã e Mandaguari e já podem ser usados pelos agentes.  

Radares móveis não foram usados entre 15 de agosto e 23 de dezembro do ano passado em todo o País.
Radares móveis não foram usados entre 15 de agosto e 23 de dezembro do ano passado em todo o País. | Fernando Oliveira/PRF
 

Segundo o gerente regional do Ipem, Marcelo Trautwein, os quatro radares foram aprovados em uma bateria de testes realizada com o auxílio do cronotacômetro, um aparelho instalado em dois veículos do instituto e que serve para a comparação das velocidades. Este procedimento precisa ser realizado a cada seis meses.  




“São cinco ensaios para cada equipamento e são feitas comparações. Se você não fizer essas verificações você corre o risco de penalizar um motorista que não cometeu nenhum ilícito ou beneficiar algum que cometeu, ou seja, estava acima do limite de velocidade”, lembrou. 


De acordo com o agente da PRF Wagner Stochi, desta vez, a solicitação para que o Ipem realizasse a aferição teve que aguardar o imbróglio judicial acerca da utilização dos radares que teve início em agosto do ano passado. “Estávamos trabalhando com outros radares, emprestados, e como a aferição tem um custo não compensaria pagar para o Ipem sem eles estarem sendo usados. Então assim que saiu a decisão já agilizamos a aferição”, afirmou. 


Os equipamentos voltaram a ser utilizados em todo o País no dia 23 de dezembro do ano passado após o Tribunal Regional Federal da 1ª Região negar um recurso da AGU (Advocacia Geral da União) que pedia a manutenção de uma medida do presidente Jair Bolsonaro do dia 15 de agosto que suspendeu a uso dos radares móveis nas rodovias. O recurso da AGU buscou anular decisão da Justiça Federal do Distrito Federal do dia 11 de dezembro que havia suspendido a determinação de Bolsonaro que revogou atos administrativos sobre a fiscalização da velocidade em rodovias e estradas federais.   


Dos 25 radares móveis utilizados pela PRF do Paraná, 19 foram gradativamente colocados em serviços a partir do dia 23 de dezembro. No período em que ficaram parados, nove estados da Federação passaram a contar apenas com os radares fixos para fiscalizarem o excesso de velocidade nas estradas, o que pode ter contribuído para um aumento no número de acidentes no período conforme dados da própria PRF.  


De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, foram registrados 24.020 acidentes nas estradas federais entre 15 de agosto e 30 de novembro, período em que os radares não foram colocados nas estradas. O número é 4,8% maior do que o registrado no mesmo período do ano anterior. Houve também crescimento no número de mortes, 1.947 contra 1.929 em 2018.  




Mesmo sendo um equipamento de fácil manuseio, qualquer falha no momento da fiscalização pode deixar de autuar motoristas que trafegam acima do limite permitido. Questionado, o agente Wagner Stochi avaliou que boa parte dos agentes da PRF da região de Londrina tem treinamento para usar os radares. “Tem um treinamento curto, mas é preciso fazer. Uma boa parte tem sim, sempre alguém que está de plantão. Um erro do manuseio pode beneficiar o infrator e não constatar uma infração, isso sim é o máximo que pode acontecer”, lembrou.  

Como você avalia o conteúdo que acabou ler?

Pouco satisfeito
Satisfeito
Muito satisfeito

Últimas notícias

Continue lendo