Os apressadinhos terão que tirar o pé do acelerador em Londrina. Desde ontem, 18 radares fixos e de videomonitoramento entraram em operação em sete ruas e avenidas da cidade. Os equipamentos, além do excesso de velocidade, vão registrar o avanço de sinal e a parada na faixa de pedestre.
A diretoria de Trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) não divulgou o número de infrações registradas no primeiro dia, mas, conforme o diretor Hemerson Pacheco, "houve voluntários para inaugurar o sistema".
Durante o período de teste dos radares, realizado na segunda quinzena de maio, o número de infrações surpreendeu. Na Avenida Duque de Caxias, entre a Leste-Oeste e a Brasília (trecho urbano da BR-369), em uma semana 9 mil motoristas passaram pelo radar acima da velocidade permitida na via.
Para um motorista que preferiu não se identificar, a fiscalização eletrônica dá mais credibilidade às autuações do que a ação dos agentes de trânsito. Para Pacheco, "o equipamento evita o embate com os agentes".
José Antônio Tamanini, de 53 anos, comentou que os radares nos cruzamentos darão mais segurança ao pedestre. Para o eletricista Paulo Souza, de 35 anos, eles não influenciam o seu modo de dirigir. "Para mim é indiferente. Sempre ando certo e respeitando a sinalização. Mas acredito que funcione como orientação. As pessoas só respeitam quando pesa no bolso."
O construtor Joel dos Santos, de 54 anos, considera desnecessário os radares. "Não precisa de radar. É só as pessoas respeitarem a sinalização", disse. Para André Luy, de 40, diretor de uma emissora de rádio, os radares são importantes na educação do motorista. "O radar intimida o excesso de velocidade. E é importante para que as pessoas tenham consciência e reduzam o velocidade."
O diretor da CMTU ressaltou que a intenção é disciplinar o motorista. "Londrina ficou com uma lacuna de quase três anos sem aparelhos de fiscalização eletrônica. Esse é o primeiro passo para o resgate dessa cultura de disciplina", destacou.
As imagens capturadas pelos aparelhos são analisadas numa central na Diretoria de Trânsito e as que estiverem com algum tipo de obstrução que impeça a identificação da placa serão descartadas.
São 18 equipamentos instalados, nove de videomonitoramento. Esses aparelhos estão instalados nos cruzamentos. Os outros são radares fixos que verificam apenas a velocidade.
Quem avançar o sinal vermelho durante a madrugada não será multado. As imagens serão capturadas e descartadas. Será autuado apenas o motorista que cruzar acima da velocidade permitida.
"Tentamos preservar a integridade das pessoas. Após as 23 horas essas imagens serão descartadas", disse Pacheco, reforçando que o excesso de velocidade será multado independentemente do horário.

FUTUROS RADARES
A diretoria de Trânsito pretende ampliar o número de equipamentos e fazer um rodízio com os que já estão instalados. "O radar móvel é o nosso termômetro. Temos elencados outros pontos. A instalação vai depender da gestão da empresa contratada para instalação dos equipamentos", explicou.
Ainda há na cidade equipamentos antigos instalados, que serão retirados. Os novos radares foram alugados pela CMTU por um ano ao custo mensal de R$ 61 mil. O contrato é prorrogável por mais três anos.
A instalação dos radares nas avenidas Tiradentes, Winston Churchill, Juscelino Kubitscheck, Santos Dumont, Dez de Dezembro, Duque de Caxias e na Rodovia Carlos João Strass, levou em consideração o número de veículos que transitam pelos locais, índices de acidentes e outras normas determinadas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
Em 2015, quatro vias que receberam radares figuraram no Placar do Trânsito da CMTU entre as campeãs em número de mortes. Dos cem óbitos no trânsito no ano passado, nove foram Avenida Dez de Dezembro, quatro na Rodovia Carlos João Strass, três na Duque de Caxias e três na Tiradentes. Este ano, dos 33 óbitos, um foi na Tiradentes e outro na Carlos Strass.

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