Arapongas – O racionamento de água na cidade de Arapongas (Região Metropolitana de Londrina), que tinha data prevista inicialmente para acabar no último dia 15 de maio, foi prorrogado. A Sanepar informou, em uma reunião aberta, ontem, que as obras para ampliação do abastecimento não terminaram e o racionamento, com rodízio no fornecimento de água, deve continuar, no mínimo, até novembro.
Desde fevereiro, Arapongas está nessa situação. A cidade consome cerca de 1,4 milhão de litros de água por hora e produz aproximadamente 900 litros por hora. A autarquia de saneamento iniciou as obras – da abertura de três poços artesianos e de um reservatório - em 2011 e já adiou a entrega várias vezes desde então. O caso é alvo de investigação, inclusive, no Ministério Público (MP).
"Temos a consciência de que estamos atrasados, mas nunca dissemos que entregaríamos numa determinada data. Existem fatores externos que não tínhamos como prever, como falta de equipamentos e de fornecimento de energia elétrica", comentou o gerente regional de Arapongas, Luiz Alberto da Silva. Segundo ele, um dos poços já está praticamente em operação, o segundo precisa de um documento de desapropriação e o terceiro ainda aguarda a execução de um projeto para que, então, seja iniciado o levantamento de custos para aquisição do material. O reservatório deve entrar em funcionamento nos próximos dez dias. Os poços, apenas em setembro e novembro, respectivamente. "Talvez, com isso, seja possível reduzir o número de horas de racionamento."
Com os três poços em operação, a estimativa é que a produção aumente em, pelo menos, 300 litros por hora. "Queremos saber o motivo pelo qual Arapongas é o único município no Estado com racionamento. Não pretendo suspender o contrato, apesar da quebra de cláusulas. Optamos em dar mais um voto de confiança à Sanepar. A partir de agora, entretanto, vamos estudar o contrato com afinco para vermos o que pode ser feito daqui para frente", disse o prefeito Padre Beffa.
Enquanto isso, muitos moradores continuam descontentes, mesmo com a regularização pontual do abastecimento em alguns locais da cidade. Até semana passada, eram dois dias normais de fornecimento de água para 24 horas sem nenhuma gota. Quem não tem caixa d’água na residência, tem que improvisar como pode. A dona de casa Irene Salvaterra é uma das que não teve uma boa experiência com o racionamento. "A gente se vira do jeito que dá, não lava a roupa ou a louça. Mas a água do chuveiro vem direto da rua. Temos que tomar banho de caneca nesses dias. Pagamos caro para não ter água", reclama, indignada, mostrando a conta de água que depois da construção da rede de esgoto, há um ano, passou de R$ 30 para 110 em média.
Assim, como ela, o pedreiro José Gregório Neto ficou decepcionado ao saber que o rodízio vai continuar, após o restabelecimento pontual do fornecimento. "São duas crianças pequenas em casa. Um dia sem água conseguimos passar. Mas de duas a três vezes na semana é complicado. Vai ser difícil reviver tudo aquilo de novo e por um período ainda maior", lamentou.

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