Buenos Aires, 19 (AE-NEWSWEEK) - Atolado em dívidas e derrotas
um dos famosos clubes de futebol da Argentina dá "adiós" aos dias de glória. Os argentinos sempre foram loucos por futebol, mas pouca coisa os deixou mais doidos do que os recentes fracassos dentro e fora do campo do venerável Racing Club.
O clube de 96 anos teve um passado glorioso. Apoiado por luminares como o homem forte populista Juan Domingo Perón, o Racing foi o primeiro time argentino a conquistar um título mundial - a Copa Intercontinental, em 1967 -, foi o primeiro a conquistar o campeonato de Buenos Aires três anos seguidos e teve o maior período de invencibilidade, 39 jogos.
Mas agora o Racing se debate para sobreviver. Não conquista um campeonato há 32 anos. Pior ainda, uma série de diretores incompetentes alguns acham que eles são corruptos deixou o clube com uma dívida ruinosa, em torno de US$ 62 milhões. No mês passado, um tribunal de falências mandou que o Racing fechasse as portas e vendesse seu patrimônio decisão que desencadeou uma crise. Manchetes de primeira página berraram feio e torcedores do Racing numa passeata de protesto atiraram pedras no presidente do clube, Daniel Lalin, quando ele tentou falar à multidão.
Digam adeus aos tempos áureos do futebol argentino. O Racing é o mais famoso clube atolado em dívidas, mas não é o único. O Temperley e o Atlanta, dois clubes menores de Buenos Aires, chegaram a um passo da quebra financeira em anos recentes. Os 18 clubes argentinos da 1ª divisão têm uma dívida conjunta superior a US$ 200 milhões o dobro de sua renda anual.
Como pôde isso acontecer num país tão apaixonado pelo futebol? Não é simplesmente porque o futebol argentino, apesar de toda a sua tradição e pretensões, ganha pouco dinheiro.
Críticos dizem que os times da Argentina são mal administrados por serem dirigidos não como empresas, mas como clubes sociais sem fins lucrativos, com pouco interesse pelo controle dos gastos.
A ironia é que, quando Lalin foi eleito presidente do Racing em 1997, o empresário de 50 anos foi apontado como salvador, exatamente por causa de seu êxito no ramo imobiliário e da construção civil. Mas o resultado tem sido desastroso. Para concorrer com clubes mais ricos, o Racing parou de cultivar jovens talentos, preferindo contratar astros de alto preço muitas vezes usando financiamento peculiar. Na verdade, Lalin não só dirige o clube, como também é seu maior credor. Lalin injetou US$ 2,5 milhões do próprio bolso no Racing para mantê-lo de pé, às vezes em troca de direitos sobre jogadores. Torcedores do Racing desprezam Lalin por causa da quebra do clube, mas o presidente não se abala. "Futuramente", declarou Lalin à Newsweek, "vamos ver se tenho alguma culpa. Acredito que não." A quebra do Racing motivou profunda auto-análise na Argentina.

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