São Paulo, 09 (AE) - Cinco vereadores do Partido dos Trabalhadores (PT) irão pedir licença de seus cargos, na Câmara Municipal. A decisão pode acentuar ainda mais a divisão do partido na Câmara e prejudicar o desempenho da legenda nas próximas eleições municipais. O pedido de licença ocorreu após a divulgação de uma carta do diretório municipal do partido recomendando a votação em bloco do projeto de lei do Orçamento. Durante as votações, o grupo se absteve de votar o parecer elaborado pela Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara.
Em carta enviada à líder do partido na Câmara, Aldaíza Sposati, o presidente do diretório municipal, o deputado federal Ricardo Berzoini, determinou a votação a favor do parecer elaborado pelo relator da Comissão de Finanças, Mohamad Mourad (PL). Após a aprovação do parecer, que entre outros itens baixa a margem de remanejamento do Orçamento de 15% para 1%, o partido daria entrada a emendas para o projeto final. "Na medida que votamos pela abstenção estamos dando tempo para o governo negociar seu projeto com os vereadores", explicou Aldaíza.
Os cinco vereadores - Adriano Diogo, Carlos Neder, José Eduardo Martins Cardozo, Vicente Cândido e Devanir Ribeiro - consideraram a decisão arbitrária. "Isso era apenas uma tática de plenário, pois eu não posso concordar com um projeto que possui muitos erros", justificou Cardozo. Segundo ele, não haveria como corrigir os erros na apresentação de emendas. "Não tem como consertar erros estruturais nas verbas para a educação em emendas", explicou. "Diante da interpretação de que estávamos desrespeitando uma decisão partidária resolvemos sair", disse Vicente Cândido.
Os cinco não compareceram hoje no plenário para votar o parecer, que mais uma vez ficou pendente de votação. Aldaíza não informou se haverá alguma punição do partido para o grupo. "Cada um deve decidir o que fazer de livre arbítrio", disse. Ela admitiu, no entanto, que a decisão acentua ainda mais a divisão da bancada. Para integrantes do partido que não quiseram se identificar, o afastamento dos parlamentares poderá prejudicar o desempenho do candidato a prefeito da legenda nas próximas eleições. "Será drástico, pelo menos em termos de imagem", afirmou um petista.

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