Rabino Henry Sobel negocia aumento da ajuda às vítimas do Holocausto no Brasil
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2000
Por Arnaldo Galvão 
São Paulo, 26 (AE) - O presidente do Rabinato da Congregação Israelita Paulista, Henry Sobel, está negociando com representantes do Conselho Executivo do Congresso Mundial Judaico, em Estocolmo, na Suécia, um aumento de US$ 300 sobre a quantia (US$ 500) destinada às 181 vítimas do Holocausto residentes no Brasil. Sobel afirma que os US$ 200 mil disponíveis em um fundo humanitário devem ser divididos igualmente entre as 250 mil pessoas mais necessitadas em todo o mundo. Segundo esse cálculo, o valor correto da ajuda é US$ 800.
Sobel integra a delegação que representa o Brasil no Fórum Internacional sobre o Holocausto, também realizado em Estocolmo. Ela é presidida pelo secretário nacional de Direitos Humanos, José Gregori, e conta com a presença do embaixador brasileiro na Suécia, Gilberto Sabóia. "Essa reunião comprova que a preocupação com o Holocausto transcende a comunidade judaica", diz o rabino. A idéia é unir lideranças políticas e religiosas em um esforço educacional para evitar que as gerações futuras sejam atingidas pelas mesmas tragédias do passado.
O Fórum Internacional sobre o Holocausto é integrado por delegações de 47 países e conta com a participação de 25 primeiros-ministros, entre eles Ehud Barak (Israel), Gerhard Schroeder (Alemanha), Robin Cook (Inglaterra) e Massimo DAlema (Itália). Sobel diz que a delegação brasileira defende o combate ao racismo, à intolerância, ao anti-semitismo e a todas as formas de discriminação. "Ajudar as vítimas do Holocausto é tão importante quanto as punições aos responsáveis pelo sofrimento que atingiu milhões de pessoas durante a 2.ª Guerra Mundial", afirma o rabino. Arquivos - O primeiro-ministro sueco, Goran Persson, anunciou hoje que serão abertos os arquivos do serviço secreto daquele país. Essa medida pode fornecer provas da colaboração da Suécia com as forças alemãs, derrubando a versão oficial de neutralidade.
A Confederação Israelita do Brasil (Conib) já definiu as 181 vítimas do nazismo residentes no Brasil que vão receber R$ 990 pelos sofrimentos durante a 2.ª Guerra Mundial. Os beneficiados foram escolhidos entre aproximadamente 1.700 pessoas cadastradas pela Conib. Apenas pessoas extremamente necessitadas vão receber a ajuda, que não pode ser transferida para descendentes. São maiores de 65 anos que moram sozinhos e têm renda inferior a R$ 650 por mês.
Essa ajuda não se confunde com as indenizações negociadas entre bancos suíços e a comunidade judaica internacional, pelos depósitos de valores e ativos expropriados dos judeus em países ocupados pela Alemanha durante a 2.ª Guerra Mundial. Para esse fim, foi fechado um acordo no valor de US$ 1 25 bilhão, que não inclui as disputas judiciais sobre contratos de seguro e trabalho escravo. Sobel informa que a Justiça de Nova York vai decidir, em 15 de março, o valor da indenização para cada país.


